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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Conhecendo Nossos Autores Parceiros

Quem?
Ju Costa. Sou suspeita para falar, sou muito fã dela gente! Julianna Costa escreveu seu primeiro livro aos sete anos de idade. Um manuscrito em folhas de papel a4 com ilustrações feitas de giz de cera. Depois disso foram anos de poesia, contos, muita leitura, desenhos animados japoneses e RPG. Publicou seu primeiro livro, A Idade do Sangue: Agnus Dei, em 2012. Inicialmente uma edição do autor. Em 2013 seu romance chamou a atenção da Editora Grimório que, assim como Julianna, também estava começando, e o livro foi reeditado. A série “A Idade do Sangue” foi desenvolvida ao longo de seis anos. O primeiro livro se chama “Agnus Dei” e concorreu ao Prêmio Glória Pondé de Literatura Juvenil pela Fundação Biblioteca Nacional. O segundo se chamará “Fugitivos” e tem lançamento previsto para 2013. O que escreveu? Agnus Dei

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Concurso Literário "Escritores do Clube": A Bruxa de Christchurch

Confiram mais um conto participante da promoção cultural "Escritores do Clube" que rolou por aqui no mês passado.


A Bruxa de Christchurch

As histórias eram muitas e em sua grande maioria, aterrorizantes. Por mais que as intenções de um bruxo fossem boas, ele não seria aceito pela sociedade, especialmente em Christchurch, Nova Zelândia. Ninguém gostaria de bater defronte de um bruxo nas ruas da cidade. Numa época antiga, alguns séculos atrás, bruxos eram criaturas odiadas por todos.
Susan Fettin é uma bruxa poderosa, amável e confusa sobre si. Bruxos são bem mais parecidos com os civis do que todos imaginam, são separados apenas pela barreira do poder. Existiram bruxos maus e bruxos bons, mas para os moradores de Christchurch bruxo bom é bruxo morto. Devido às circunstancias Susan decidiu não ser má. Não lhe agradava a ideia de tomar proveito de suas habilidades sobre as pessoas comuns, ou alimentar seus desejos com magia. Ela queria ser “normal”.
Susan adorava crianças, então, para esconder sua real natureza, aceitou um emprego como babá de duas crianças. Passou a trabalhar para os Walker, uma família bem sucedida e influente na cidade. Moravam em uma pequena fazenda nas extremidades de Christchurch. Uma das crianças se chamava Tony e tinha apenas cinco anos de idade. A outra criança se chamava Lily, uma linda garotinha de apenas um ano. A família era um tanto conturbada. Os pais, o Sr. Jhon Walker e a Sra. Mariah Walker, apenas se preocupavam com o seu trabalho, tinham alguns pontos comerciais espalhados pela cidade. Não davam muita atenção aos seus filhos, embora não faltasse amor e afeto. As crianças passavam dia e noite com Susan. Elas a amavam, amavam mais até que aos seus pais. Tony passou a chamar Susan de mãe, se alguém perguntasse a Tony de quem ele gostava mais ou com quem preferiria estar, certamente ele responderia mamãe, ou seja, Susan.
Para Susan foi fácil conquistar as crianças. Bruxas eram criaturas instáveis, por mais que não gostasse da ideia de utilizar seus poderes para ter vantagem, ela sempre fazia truques ou agradava as crianças com magia. Um brinquedo ou uma comida saborosa era só pensar, fazer alguns gestos, recitar palavras e pronto.
- “Mamãe, mamãe”! – disse Tony eufórico – quero um doce!
- Arrumou a cama hoje? – Perguntou Susan carinhosamente enquanto colocava a frauda de tecido em Lily.
- Sim, mamãe! – Respondeu ansioso.
- Então tudo bem! – Ao lado de Lily, que estava deitada sobre uma mesa, Susan gesticulou rapidamente e recitou uma frase em algum idioma antigo. Surge então um pequeno prato de louça com um delicioso pedaço de doce de morango.
- Aqui está – posicionou-se defronte ao garoto estendeu a mão, entregou o doce, em seguida curvou-se e o beijou na testa.
Susan amava as crianças mais que a se mesma, daria sua vida por qual quer uma das duas. As crianças igualmente a amavam, a obedeciam e recorriam primeiramente a ela sempre que desejavam algo. Os pais eram um tanto “estranhos” para Tony e Lily. Esse “amor” passou a incomodar intensamente Mariah e Jhon, as crianças não mais retribuam o carinho e o afeto da forma que era de se esperar que filhos tratassem os pais.
Mariah e Jhon eram egocêntricos e gostavam da atenção voltada para eles. Quando os filhos passaram a tratá-los com descaso, Mariah sentiu-se ameaçada, então decidiu passar mais tempo em casa, com as crianças. Ela queria diminuir o amor incomodo que as crianças sentiam por Susan.
Certo dia, por volta do fim da tarde, Susan foi passear com Tony, Lily ficou com Mariah em casa. Mariah a pôs pra dormir e foi observar a casa. Ao passar pela cozinha próximo aos aposentos de Susan, ela encontrou um livro marrom de capa dura, aparentemente um livro bem velho. O livro estava bem próximo aos aposentos de Susan, provavelmente colocou lá por descuido.
- Há! – Espantou-se Mariah ao ler a contra capa do livro – “O livro das Bruxas”.
O livro estava repleto de símbolos estranhos e palavras em línguas diferentes. - Não pode ser! Susan é uma bruxa.
Não se tinha relatos de bruxos, magos ou criaturas do tipo há muito tempo em Christchurch. Ela ficou pálida, não podia acreditar que uma bruxa estava responsável por seus filhos. Ela respirou fundo, ouviu o som de passos. Virou-se com o livro na mão. Lá estava Susan, parada, fitando-a. Mariah se assustou ao vê-la, o pouco de cor que restava em seu rosto desapareceu. Susan ao perceber o livro nas mãos de Mariah se assusta, arregala os olhos e alterna rapidamente o olhar entre os olhos de Mariah e o livro em suas mãos.
            -Você... Você é uma bruxa? Perguntou Mariah gaguejando e aterrorizada.
Ambas ficaram em silêncio. Uma encarava a outra.
            - Fora da minha casa, demônio! – Vociferou alterando a expressão de sua face.
Susan não sabia o que fazer. Poderia usar magia e controlar a situação, mas preferiu fugir. Saiu correndo da casa sem rumo, estava confusa.
            Alguns minutos depois, as pessoas atacaram à casa de Susan, que se localizava na rua paralela a fazenda dos Walker, a notícia havia se espalhado muito rapidamente. Todos os seus objetos pessoais, livros, frascos e outros foram lançados numa fogueira montada em frente a casa. Estava destruída, restavam apenas algumas paredes levantadas.
            - Fora de nossa cidade, demônio! – Gritou um dos que atacavam a casa.
Durante semanas, meses Susan foi perseguida, atacada, sua vida tornou-se insustentável. Contudo ela não foi capturada.
            Tempos depois, Mariah encontrou um bilhete próximo de sua casa. “Você destruiu minha vida, espero que goste da dor”. O recado estava escrito em um papel velho, manchado e sujo! “Susan” pensou Mariah. O desespero tomou conta do seu corpo, correu para dentro da casa e mostrou o bilhete a Jhon tremendo.
            - Vamos ter que sair da fazenda. – disse Jhon aflito – da cidade... Vou resolver algumas pendências e amanhã viajaremos.
            Embora Susan fosse de boa índole, quando contrariada poderia simplesmente ignorar seus valores caso isso lhe convier no momento. Assim fez. Ela queria estar com as crianças e iria fazer de tudo pra que isso acontecesse.
            Mariah e Jhon Walker pretendiam fugir no dia seguinte. Estavam assustados, mas não sabiam que o dia seguinte era tarde de mais.
            A noite chegara. As crianças estavam dormindo. Mariah terminava de arrumar as malas. Jhon trocava de roupa, pois acabara de sair do banho. Os dois ouviram um barulho estranho vindo da cozinha. Mariah virou-se para fitar Jhon.
            - O que foi isso?! – Perguntou Mariah extremamente assustada.
            - Não sei, vou ver. Fique aqui. - Disse Jhon determinado, porém com medo.
Jhon desce do seu quarto que ficava no primeiro andar da casa. Mariah escuta um grito alto e rouco. Era Jhon. Ela entra em pânico. E Corre para o quarto das crianças que fica no mesmo andar. Tranca a porta e aguarda aflita. Ela ouve um leve som de passos. Surge um brilho na fechadura, a maçaneta gira e a porta abre lentamente. Mariah está a ponto de um infarto. Ela pega as crianças, que acabam acordando e começam a chorar. Surge Susan de olhos negros e de má expressão.
            - Se arrependerá por tudo que me fez. Disse Susan com uma voz assombrosa.
            Antes que Mariah pudesse dizer alguma coisa, Susan estende a mão e começa a falar em uma língua estranha. Movimenta os braços e mãos lentamente. Mariah grita alto de dor, solta as crianças e começa a levitar. Senti-se sufocada, suas veias tornam-se visíveis. As crianças choram dramaticamente. Mariah começa a sangrar, Susan continua a falar em outra língua e gesticular, agora com mais velocidade. Mariah grita bem alto e cai dura no chão. Está morta.
            A fisionomia de Susan volta ao normal. Ela se aproxima das crianças, que choram mais suavemente em gemidos.
            - Vamos sair daqui? – Perguntou Susan, sorridente, com uma voz doce e delicada, agachada em frente às crianças. Tony ainda assustado balança a cabeça positivamente. Ela pega Lily no braço, segura a mão de Tony e vai embora.
            Nunca mais se ouviu falar de Susan ou das crianças!

domingo, 5 de agosto de 2012

Concurso Literário "Escritores do Clube": De uma Vampira a Quem Possa Interessar...

Confiram mais um conto da galera que participou do 1º Concurso Literário "Escritores do Clube":


De Uma Vampira a Quem Possa Interessar



1
Ontem, acordei com um pouco de dor de cabeça sem saber o que estava acontecendo. Ao meu lado sentado no chão, estava ele, de olhar sombrio e um sorriso diferente de todos que já havia visto em minha vida. Parecia um lobo faminto com as presas sujas de sangue.
- Você recebeu a graça do senhor da escuridão – dizia ele com uma voz desanimada e um sorriso perverso. – Senhor esse que irá te ajudar nesta tua vida sofrida, todas as dores da tua alma ele irá cicatrizar, e nada mais terá importância, por que neste corpo teu não habita mais alma alguma.
Fiquei confusa, e sentia dores por todo o corpo, mas havia um local que a dor parecia interminável, era o meu pescoço, estava ardendo e queimava como brasa. Passei a mão e percebi que a dor não era em vão, estava sangrando e senti que havia furos naquela região.
– Isso não é nada. – disse ele ao se levantar – Deverá sarar antes que digas teu próprio nome.
E foi o que aconteceu. Ele se levantou e com tamanha rapidez já estava com o rosto encostado a minha pele, senti quando ele passou a língua em meu pescoço, bem na ferida e em um segundo depois nada mais havia ali, nem feridas, nem sangue. E com a mesma rapidez que se levantou ele se afastou e ficou parado olhando para mim.
 Ele começou a falar e suas palavras ecoavam em minha cabeça. Explicou-me no que eu havia me transformado. Um ser da noite, um vigilante do mal, uma criatura possuidora dos dotes maléficos.
O dia havia acabado para mim, não poderei mas ver o brilho das manhãs, só a noite poderia despertar para os meus olhos.
Quando escureceu despertei do meu sono, um pouco cansada admito, e faminta. Estou escrevendo essa carta para tentar desviar meus pensamentos, ainda estou tentando acreditar no que sou, no que me transformei, mas não estou aceitando.
Eu soube naquele momento que nada mas seria comum novamente, havia me tornado uma vampira.
2
Mas aqui estou eu de volta. Desde a minha primeira carta venho pensando muito em como farei para aceitar o que sou.
 Sim, voltei a escrever depois de alguns dias porque não entedia o que se passava em minha vida, comecei a compreender a pouco tempo. Não pedi a imortalidade que tantos desejam e sim, pedi para superar a dor que consumia o meu peito, mas os deuses não me ouviram, e sim o Lúcios, que entendeu o meu suplico de forma estranha e assustadora. Não desejo essa vida nem as piores almas. Mesmo por que isto não é vida, a muito que a vida não existe neste corpo que levanta esta pena para escrever mais uma carta desprovida de sentimentos.
Não sei ao certo quanto tempo se passou desde a minha transformação, mas é como se tivesse passado toda uma vida, desde a infância até a velhice, e depois retornando a ser criança para então envelhecer novamente. Os dias passam e a eternidade me parece algo insuportável.
Passei muito tempo deitada, aceitando o que me era dado para saciar a fome, uma fome sem fim. Lembro-me da primeira noite em que puder sentir no que se baseava a minha fome. Ou seria sede?
Estava em minha cama, a mesma cama que dormia quando ainda era viva, e o Lúcios veio me visitar, não poderia deixar de mencionar o quão belo era aquele ser apesar de todo o medo que nutria em meio peito por aquela criatura, que até aquela noite ainda era bastante desconhecida para mim. Ele me transformou no que sou hoje.
O Lúcios veio andando lentamente, como quem valsa, se aproximou de mim e perguntou – A criança tem fome, sente vontade de beber algo? Sua voz parecia uma melodia da qual eu poderia passar a noite ouvindo e ainda assim não me cansaria de me inundar com aquele som maravilhoso. Mas havia algo na pergunta dele que realmente chamou minha atenção, eu estava com fome, muita fome, mas não tinha vontade de comer nada. Mas ele parecia ouvir tudo o que eu estava pensando e se aproximou de mim, se ajoelhou no chão ao meu lado na cama e trazia em uma de suas mãos uma taça de cristal, que brilhava e cintilava contrastando com o líquido escuro que jazia dentro dela. Eu senti o cheiro e quase por impulso senti meu corpo se erguer e mais rápido do que a minha mente pode acompanhar eu já estava aos pés de Lúcios, olhando paralisada a taça e desejando sentir o gosto daquele líquido que me parecia muito com vinho, mas, sabia desde o momento que coloquei meus olhos nela que o cheiro era muito melhor que vinho, era uma aroma diferente de tudo que já havia sentido em minha vida. Segurei a taça e Lúcios não fez objeção aos meus movimentos, apenas sorriu e fez um sinal com a cabeça como quem indica para continuar a fazer o que já havia começado, a esta altura minhas mãos já envolviam aquela taça e minha boca sentia pela primeira vez o gosto do sangue humano. Não fazia ideia de como era maravilhoso e saboroso aquele líquido. E assim se seguiu, noite após noite, ele vindo me visitar, eu permanecia deitada em minha cama, mas ele vinha, todas as noites e me alimentava. Meu despertar passou a ter um propósito, me alimentar.
3
Ontem à noite o Lúcios veio até a cama e me pediu para levantar e me arrumar pois íamos dar um passeio. Ele estendeu a mão em minha direção, foi quase como se ele implorasse, mas ele nem abriu a boca, eu já estava em pé, ao seu lado segurando sua mão e olhando em seus olhos. E então ele falou – vista o que está sobre a cama. E depois de terminar a frase ele soltou a minha mão e saiu do quarto, não tão rápido como das outras vezes, pude ver que quando estava perto da porta do quarto ele voltou à cabeça em minha direção e depois saiu.
Havia uma enorme caixa branca sobre a minha cama, abri e lá estava um belíssimo vestido. Eu sabia que era um vestido nobre. Era de um tom perolado com muitos bordados em fios prateados quase imperceptíveis a primeira vista, mas que davam um ar de diamante a todo aquele corpete. Um grande decote com fitas cruzando de um lado para o outro nas costas. Tirei da caixa e o vesti, ele era perfeito para o meu corpo. Fui até a sala. Em pé, ao lado das poltronas de chá estava o Lúcios, sempre impecável, com sua cabeça erguida como quem espera ser atacado a qualquer momento, sempre em alerta. Quando entrei senti uma brisa invadir meu peito e passar pelos meus ombros nus. Os olhos de Lúcios vieram de encontro a mim e percorreram aquela criatura que a muito não se levantava da cama, eu.
Não sabia se estava bem vestida ou não, mas sabia que ao entrar naquela sala alguma coisa tinha mudado. Então Lúcios veio até mim, segurou minha mão direita e a ergueu até seu lábio e a beijou.  Que lábios macios e carnudos, tive a sensação de sentir a sua boa se abrir de encontro a minha mão como quem se prepara para dar uma mordida, mas acho que foi apenas impressão. Eu podia sentir leves ondas de emoções, eu sabia que podia sentir o que os outros estavam sentindo, isso começava a explicar a estranha sensação de vento que estava sentindo sempre que Lúcios se aproximava de mim e me tocava, por mais leve que fosse esta aproximação física.
Em meio aos meus pensamentos Lúcios me interrompeu e me chamou
- Vamos criança. Sim, era assim que Lúcios sempre me chamava, desde a primeira noite.
O silencio se fez presente em boa parte do passeio. De repente a carruagem parou, estávamos em frente ao castelo de Melícias, uma estrutura magnífica com três enormes torres e uma ponte sobre um rio que circundava toda a construção.
O castelo parecia uma ilha rodeada de todo aquele rio escuro e belo, cheios de árvores ao fundo e muitas esculturas espalhadas por todo o jardim da frente. A entrada estava repleta de castiçais que formavam um corredor até a ponte e sobre ela formando um caminho, nos guiando até o portão principal de entrada. Tudo estava perfeitamente harmonizado, exceto eu, pobre imortal, que não fazia a mínima ideia do que me aguardava lá dentro.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Concurso Literário "Escritores do Clube": Meu Mundo Misterioso

Mais um incrível conto feito por um participante do Clube para o Concurso Literário que rolou no evento passado.



Meu Mundo Misterioso

Um das minhas saídas à noite mais inesquecíveis foi uma que fiz pelo Recife Antigo. Comecei a caminhar pelas ruas que estavam bastante desertas, achei um pouco estranho, mas segui em frente. Minutos depois, quase chegando ao marco zero, percebi que havia uma festa. Cheguei mais perto, pude ver as luzes, músicas e batuques. Em alguns lugares pessoas soltavam fogos, estava bem movimentado, passei por varias pessoas que me olhavam, uns mais que os outros. Na entrada, um cartaz bem grande dizia FESTIVAL DE PODERES MÍSTICOS. Comecei a passar pelas barracas, acho que por ser novato na cidade fiquei impressionado com tudo que via, comprei amuletos, pedras de sorte, colares e um monte de coisas, mas algo me chamou atenção. Uma barraca que tinha o nome escrito, “Guardiões Sombrios.” Meu coração acelerou, ao chegar perto da moça que estava lá. Ela me encarou e começou a tremer, as luzes começaram a piscar e falava “Morte, muito sangue, morte...” − Morte? − O que ela esta falando? estava lá.
– Saia daqui! – Gritou. – Ai! − Gritou novamente. Sai às pressas esbarrando em várias pessoas que estavam no meu caminho, alguém me empurra e me viro.
− O que você está fazendo aqui, Guardião maldito? – Neste momento ele me empurrou com tanta força que voei e cai deitado.
 – Ai! – Gritei de dor e perguntei entre dentes − Quem é você? – Ele se aproximou de mim rapidamente.
− Meu nome é Brian Miller, eu sou um bruxo supremo. Seu pior pesadelo, guardião maldito! Por sua causa os Guardiões sombrios estão a caminho desta cidade, e vão destruir todos que estiverem contra, eles querem dominar o mundo e vocês, guardiões do bem, não vão conseguir matar eles. Por que você não foi para outra cidade? Por que a luta tem que ser aqui? Eles vão acabar com a cidade, matar crianças e pessoas boas. Agora é tarde de mais. – Ele baixa a cabeça e vejo lágrimas caindo do seu rosto.
− Eu não sei do que você está falando. – Consigo dizer quase chorando, ele tira do bolso uma varinha e aponta para meu rosto e antes de começar a falar é interrompido por 11 estranhos.
− Ele está falando a verdade. Nós tentamos proteger-lo dos guardiões sombrios, mas não pudemos impedir dele vir para Recife, nós também queríamos isso Brian. Nós guardiões não temos a menor chance contra os sombrios, mas com a ajuda de vocês bruxos e magos temos vantagem de vencer essa luta e proteger a terra.
− Eles estão na cidade, eu sinto a presença deles. – Ele deu uma pausa. − Eles estão vindo para cá. – Brian quase gritava. – Eles querem que a luta seja aqui, não podemos deixar isso acontecer.   
Eu não sabia o que estava a caminho, mas algo dentro de mim não estava com medo.
− Vamos ao encontro deles! – Digo. 
Quando encontramos estranhos no meio da noite não deveríamos ter medo.  − Eu sei, é difícil confiar em um estranho, mas na história da minha vida eles podem ser a única salvação da terra. Ou a destruição dela. − Às vezes me bate uma vontade tão grande de fazer coisas erradas, aquelas mais bizarras que alguém pode imaginar. Não me levem a mal, mas não sei por que não consigo ser feliz. Faço tudo que acho que é certo; não fumo; não bebo; não tenho amigos que tentam me levar para um mau caminho; alias não tenho amigos, estudo; leio. Sinto que falta algo, uma garota seria a resposta? Se apaixonar, esse seria o segredo da felicidade? − Acho que não. − O que aconteceria se eu morresse? − Por mais que quisesse uma resposta eu não iria encontrar. Morte, não é bem o que eu queria aos meus 16/17 anos, mas não se pode escolher quanto tempo queremos viver, principalmente neste mundo em que vivemos. Guardiões do bem e do mal iniciando uma guerra, onde bruxos e magos iriam intervir e eu, vulnerável a tudo e a todos. Entretanto não tinha escolha, depois de tudo que passei estava disposto a encontrar o que não queria. A morte. Isso seria meu fim ou apenas um novo começo? Se a imortalidade existisse, seria um novo começo, mas como todos nós somos mortais: Isto seria meu fim. Avançamos em direção aos nossos inimigos, não sabia o que estava fazendo ali, só sei que meu corpo pegava fogo por dentro e por fora, eu estava em chamas e em segundos eu estava me transformando, meu tamanho triplicou, meus braços ficaram longos e finos, meus antebraços e minhas mãos enormes, meu corpo era a parte mais estranha, a pele parecia de jacaré e minha cor de um amarelo avermelhado. E meu rosto, bem, meu rosto, pegava fogo. Chamas que não paravam. Bolas de choque saiam das minhas mãos involuntariamente, mais tarde descobri que eu era um guardião dayon, um tipo de alfa do grupo e o único que se transformava. Os guardiões sombrios tinham armas de fogo em seus braços, pernas, cabeça, cada um tinha uma parte do corpo com alguma mutação, estávamos em um número menor, os Bruxos soltavam raios de suas varinhas, de variadas cores, negras, vermelhas, azuis, brancas, verdes e os magos lutavam bravamente com suas espadas, arcos e etc. Não posso negar que haveria muitas mortes no final disso tudo (eu tiraria do “disso tudo”). As pessoas que estavam na rua gritavam se escondiam e algumas realmente morriam, nós tínhamos nos afastado da festa, mas o Recife antigo é grande, e sempre tem algumas pessoas pelo caminho, próximo de uma ponte que não sabia qual era. Casas pegavam fogo, prédios caiam, carros explodiam. Os guardiões do bem tinham vários poderes como controlar ar, água, fogo, terra e entre outros. O chão se abria onde menos esperávamos, e a ponte, ela se rachou toda e começou a se desmoronar caindo na maré. Membros dos guardiões sombrios morriam rapidamente, eles agora estavam em um menor número. Eu lançava meus braços para frente e saiam bolas de choque que atingiam eles, ou outras coisas. Não me culpem se matei alguns humanos que estavam na rua. Sou novo nisso. Os sombrios tentavam fugir e de repente a maré começou a formar ondas enormes, iam em direção dos sombrios que tentavam fugir. Agora todos corriam, e nós fomos atrás, avistei uma ponte de ferro, e eles iriam passar por elas. Um furacão proibiu a passada deles que recuaram e eu sabia que a batalha estava acabando. Os bruxos uniram seus raios em um só e nós guardiões também juntamos nossos poderes. Os guardiões sombrios atacaram todos de uma vez e uma explosão desconhecida aconteceu. E eu apaguei por completo. Ao despertar estava em um hospital, junto com alguns dos bruxos e guardiões do bem. Meu pai estava dormido na cadeira ao lado, olhei pro outro lado e vi que Brian sorria para mim. – Conseguimos. – Disse sussurrando e levantando os braços em ritmo de vitória. Sorri.
As autoridades disseram que o caso ocorrido foi inexplicável e que foi obra do clima. Algumas pessoas disseram ter visto monstros, e jovens lutando com espadas e tudo mais. Entretanto não tinham provas. Nós que estávamos lutando, omitimos os fatos. Dissemos que havia muita ventania, e que o chão se abria em algumas partes. Às vezes, nem eu tenho certeza que realmente aconteceu. Só tenho certeza de uma coisa: as pessoas vivem em um mundo misterioso e não sabem. E eu, eu sou um estranho.



sexta-feira, 27 de julho de 2012

Concurso Literário "Escritores do Clube": Caça as Bruxas em Fells Liveway


Confiram mais esse conto que foi um dos concorrentes do Concurso Literário "Escritores do Clube" 

Caça as Bruxas em Fells Liveway


Em um mundo paralelo ao nosso, onde deuses, demônios e poderes eram vistos como meros títulos e um tabu para toda a sociedade - seja do vilarejo Fells Liveway ou do próprio planeta. A idade média - ou a era das trevas para alguns - passava a se tornar ainda mais sombria e toda a população do vilarejo sentia que tempos difíceis estavam para se tornar realidade.

Alguns incidentes aconteceram, e estes foram: queimação na plantação, animais encontrados mortos de formas terríveis e grandes desenhos ao redor do cemitério. Parecia até que alguém queria fazer uma brincadeira com todos os moradores, mas ela estava começando a passar dos limites. Crianças tinham medo, pais estavam sem saber o que fazer, e alguns, já haviam ido embora sem deixar pistas. O terror estava, aos poucos, tomando conta daquele pequeno vilarejo. Até mesmo as bruxas inocentes – as poucas existentes – estavam sendo afetadas.

Gabriella já não mais sentia prazer em experimentar novas receitas mágicas, em testar novas poções, coisas que ela adorava fazer. Mesmo não praticando magia contra os outros, sentia que qualquer coisa seria usada contra ela, se fosse vista. Também não saia de casa fazia bastante tempo, temendo ser linchada do lugar.

- Que povo mais ignorante. – resmungava solitária, em sua cozinha, espiando pela janela o movimento nas ruas. – Não vou ajuda-los a achar as bruxas malfeitoras. Não tenho nada a ver com isso.

Do lado de fora de sua humilde casa – pelo menos, humilde em comparação a casa das outras bruxas – a mesma cena se repetia todos os dias. Corajosos moradores apareciam com tridentes, facas, cutelos, porretes e machados, na esperança de livrarem o lugar dos praticantes de magia.

Por segurança, a jovem bruxa selava sua casa com uma espécie de proteção, não permitindo a entrada de pessoas comuns. Pelo menos, assim estaria um pouco mais segura. Mas, com seus poderes bastante escassos, Gabriella não conseguiria manter essa proteção por muito tempo. Provavelmente, em poucas horas, estaria mais sem como se defender, em caso de uma invasão.

Em frente a casa, a multidão parecia estar cada vez mais confiante. Alguns já tentavam derrubar a porta, a chutes e empurrões.

- Eu não tenho mais nenhum selo de proteção. – e pensou no que deveria fazer, assustada. – Tenho que fugir.

Rapidamente, agarrou dois pequenos fracos, com uma substância escarlate, e colocou-os dentro dos bolsos. Com aquelas poções, poderia curar qualquer fratura ou dano rapidamente. Deu uma última olhada pela janela. As pessoas agora usavam suas armas para quebrar a porta. Definitivamente, a proteção não aguentaria mais.

- É agora, tenho certeza de que vamos derrubá-la! – o líder do grupo de invasores agora berrava ansioso para por um fim nisso tudo. Já tinha se passado muito tempo, e a cada dia, praticantes de magia machucavam cada vez mais as pessoas que amava.

Gabriella agora corria, subindo as escadas, em direção ao primeiro andar de sua casa. Tinha um plano. Quando estivesse pronta, era só usar os poderes que ainda restavam em seu corpo e se transportar para bem longe dali, podendo, assim, tentar viver em paz.

A proteção já não era mais forte e a qualquer momento poderia se acabar. O líder do grupo tinha cada vez mais certeza que conseguiria entrar, e excitava os outros a manterem a força e continuar. Um grande estralo foi emitido, e a porta finalmente se rachou.

Sem delongas, toda a multidão adentrou a casa quebrando tudo o que encontrava a frente, desde objetos não mágicos até mesmo caldeirões utilizados para curas. - Continuem destruindo tudo! E outros me acompanhem! A maldita deve esta no andar de cima. - Gritou o líder.

E assim eles fizeram, os que tinham armas menores continuaram destruindo tudo do andar abaixo. E os outros, subiram rapidamente no encontro da bondosa bruxa que ainda permanecia lá em cima.

Mais um estralo foi emitido, a segunda porta do andar no qual Gabriella estava foi derrubada. Com medo, mesmo sabendo que poderia sair dali a qualquer momento ela permaneceu parada ao lado da janela. - Ela esta ali! Corram. Cerquem-na e a matem. - Um homem que segurava uma faca gritou. E assim os outros o fizeram, todos correram em direção a mulher, a humanidade não parecia mais a mesma, era como se ela fosse a carne, e eles naquele momento os canibais.

Vultos rapidamente adentraram a janela, eram dois. E esses dois se transformaram em velhas bruxas que diferente de Gabriella possuíam um sentimento de ódio, o que para ser visto pelos olhares.

Assustados, o grupo de pessoas recuou. Alguns se prepararam para voltar correndo ao andar debaixo, mas era tarde demais. Ambas as velhas ergueram as mãos, juntando toda a energia que conseguiram. Uma esfera brilhosa, com uma cor vermelha bastante vibrante, se formou.

- Não ousem mexer com uma de nosso clã!

E com essas palavras, a esfera praticamente dobrou de tamanho, e foi disparada na direção dos humanos, explodindo tudo que encontrava pelo seu caminho. O barulho de madeira caindo assustou as pessoas do andar inferior da casa, que congelaram, temerosos com o que tinha acabado de acontecer.

Um pouco machucada com o feitiço, Gabriella, ainda se protegendo com as mãos, perguntou:

- Quem são vocês? – e tossiu, por causa da poeira. – O que querem?
- Não tenha medo, jovem. – a mais velha respondeu, esticando sua mão direita, bastante enrugada, em direção a jovem bruxa. – Viemos para te levar junto conosco, para um lugar melhor, longe desses medíocres humanos.
- Vamos para a cidade vizinha, Beruhige. – foi a vez da outra bruxa, a mais nova, mas também muito velha. – E juntas, nós três, vamos acabar com tudo isso. Faremos esses humanos, sem capacidade alguma, se arrependerem de nos caçar. Vamos liberar o uso da magia.
- E vamos derrotar qualquer humano que aparecer em nosso caminho. – a outra sorriu, com perversidade. – Qualquer um.

Não. Não era isso que Gabriella queria. Seu maior sonho era viver em paz, em um mundo sem diferenças. Todos seriam iguais, mesmo sendo diferentes. Bruxas teriam os mesmos direitos dos humanos. Ambos poderiam estudar magia, sem discriminação. Os humanos poderiam até mesmo fazer experiências utilizando propriedades mágicas! Isso seria realmente incrível.

- Eu entendo vocês, mas não é isso que eu desejo. – Gabriella levantou-se, tirou a poeira de sua roupa e olhou firmemente para elas. – Não vou me juntar a vocês, sinto muito.

As velhas se entreolharam, e sorriram, macabramente.

- Se é assim, então também sentimos muito.
- Não gostamos de abandonar nossas irmãs-bruxas, mas você pediu por isso.

Novamente, a cena estava prestes a se repetir. Já com os braços levantados, uma nova esfera apareceu dessa vez, com uma cor lilás, bastante chamativa. Por um momento, elas pareceram hesitar um pouco, mas isso não aconteceu. O tamanho da esfera foi triplicado, e lançado em direção a pobre bruxa.

A explosão foi barulhenta, mas Gabriella conseguiu se salvar. Na mesma hora em que a esfera se aproximava, a garota fechou os olhos e esticou a mão. O seu poder não era tão grande para desfazê-la, mas pelo menos pôde diminuir o poder do ataque e por isso, se machucou um pouco e alguns dos objetos do local se quebraram.

Ela poderia ter ido com as velhas bruxas, mas algo em seu coração dizia que não. Mesmo sofrendo consequências ela não deveria ir, ela queria um mundo melhor para se viver, e for com as velhas não faria isso. Apenas a salvaria, mas o mundo de fato não seria o mesmo.

A multidão novamente se uniu, Gabriella estava ainda mais sem forças e com medo. O seu sonho naquele momento já não poderia virar mais realidade, a pobre bruxa mal tinha forças para se levantar talvez ela pudesse até escapar. Seus pensamentos não estavam mais presentes ali, ela voltou a sonhar, na esperança em que um dia vivesse em harmonia com todos. Cansada e sem forças para lutar, fechou os olhos, e desmaiou.

Não se ouviu falar mais de bruxas ou outros seres fantásticos em Fells Liveway desde então.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Concurso Literário "Escritores do Clube", Luz Negra

Olá gente, tudo bem???
A partir de agora iremos postar os contos que se inscreveram. 
Vamos prestigiar a todos os candidatos postando seus contos.



Luz Negra

Minha cabeça doía mais que o normal. Era comum ela estar sempre doendo, pelo feito de minhas lutas e quedas. Eu podia sentir as feridas abertas em meus braços e em meu peito. Podia sentir o sangue fresco escorrendo delas e manchando o linho branco de minha camisa. Onde eu estava? Onde estava Lucynda? Tentei me levantar, mas a dor em minha cabeça era insuportável, parecia me puxar para baixo. Mas eu precisava reunir minhas últimas energias por ela, para salvá-la da loucura de Dorothea. Fechei os olhos com força e forcei meus membros a agirem, a se levantarem. Ao finalmente me por de pé, avisto Lucynda desacordada sobre a mesa de pedra. Suas mãos estavam amarradas nas extremidades da mesa. Corri ao seu encontro, as feridas ardendo pelo esforço, mas meu consciente não parecia se importar. Porém, não tinha dado nem vinte passos quando me deparo com uma parede de vidro. Analiso-a, minha mão se retesando ao toque. Não era vidro. Era energia. Arte das trevas, magia negra. E só uma pessoa poderia ter usado, e eu sabia muito bem quem era.
Ao olhar para o lado me deparo com Dorothea. Os olhos estavam profundos pelas olheiras das noites passadas em claro, e pela maquiagem preta que sempre usava. Os lábios estavam cobertos pelo batom preto e sua figura esguia trajava um vestido escuro como o breu. A figura em si de Dorothea era admirável, mas seu interior era tão sujo quanto os esgotos que habitam o subsolo da cidade. Sua alma era negra e possuída pela magia que ela só usava para o mal.
-Mas veja só, se não é o corajoso Gabriel. Está ferido meu querido? – Sorriu ela diabolicamente.
Eu podia sentir o ódio por aquela mulher ferver em meu sangue.
-Você que me feriu. Pensei que me amasse Dorothea. – Ela correu até onde eu estava e se ajoelhou em minha frente, nossos rostos próximos. Suas mãos tocaram minha face, mas me virei para longe de seu toque.
-Eu o amo Gabriel. Demais. Mas não posso demonstrar meus nobres sentimentos em relação a você, com Lucynda saltitando feliz por aí, relatando o quão bom é estar em sua companhia. O quão doce são seus beijos – Suas mãos buscaram meu rosto. Seus dedos desenharam o contorno de meus lábios. Seus olhos eram de uma pessoa que precisava de tratamento. – Ela precisa ser destruída. Eu preciso ter seu coração. Só assim você poderá me olhar como eu desejo meu querido.
-Você está louca! Não pode matar Lucynda, nenhum mal ela te causou! – Gritei para ela, e isso pareceu acender ainda mais sua raiva. Seu rosto se fechou numa expressão de ódio profundo, e ela se levantou, andando apressadamente para longe de mim, perto demais de Lucynda. Dorothea subiu as escadas, aproximando-se da mesa de pedra, onde parou e ficou olhando para o corpo inerte de minha amada.
-Você se recorda Gabriel, o quanto você me amava? O quanto éramos felizes.
-Aquilo não era amor – Falei, esforçando-me para levantar.
-Era sim. Só bastou Lucynda aparecer na cidade e você morrer de amores por ela. O que você encontrou nessa garota? Ela não tem nada, nenhum poder especial. Nenhuma beleza extraordinária. O QUE VOCÊ VIU NELA? – Gritou ela descontrolada. Seu corpo se agachou e buscou algo embaixo da mesa. Era uma adaga.
-Não! Não faça isso Dorothea. – Implorei, tentando de alguma forma passar pela barreira de energia que ela tinha colocado ali, separando-me dela e de Lucynda. Eu tinha que pensar em algo. E pensar rápido. Dorothea pousou a ponta da adaga na barriga de Lucynda, e subiu por seu corpo, parando em seu peito. Meu coração ia diminuindo à medida que a adaga avançava. Dorothea deu uma olhada em mim.
-Irei ceifar a vida dela. Comer seu coração puro. Assim terei seu amor para mim, e poderemos viver nossa história.
-Se você continuar com essa loucura, tudo o que vai ter de mim será o ódio. – Mas ela não me escutou, continuou a pressionar a adaga, agora com mais força sobre o peito de Lucy. – Eu fico com você.
O olhar de Dorothea subiu imediatamente, e seu olhar encontrou o meu. Ela largou a adaga com facilidade e desceu as escadas de forma desumana. Suas mãos se moveram para frente, tirando o campo de força, enquanto a outra me puxava para perto de si. Seus lábios se encontram com os meus, em um beijo selvagem, tirando-me o ar. Era a minha hora de agir. Puxei-a de encontro ao meu corpo, mantendo-a junto a mim o máximo possível. Minha mão, com todo cuidado, foi para minhas costas, onde no cós da calça se encontrava a faca que meu pai, Stephen, tinha me dado. Ainda me recordava de suas palavras: “-Nunca se separe dela meu filho. Ela irá te ajudar nos momentos de maior desespero.”. Ao segurar em seu cabo frio a movi e empalei as costas de Dorothea, mas não fui rápido o suficiente. Senti minhas mãos virarem. Os ossos se quebrarem, deixando ali uma dor lacerante, deixei a faca cair. Dorothea ria de minha desgraça.
-Pensa que sou idiota? Você não tem mais a força que costumava ter meu querido. E foi por isso, que cortei as suas asinhas tão preciosas. – Olhei com profundo temor, amaldiçoando-a por ter arrancado as minhas asas. – Você não vai conseguir me matar querido. Os seus tempos de glória foi há milhares de anos, Gabriel.
Eu já estava me conformando com a minha desgraça. O que ela falava era verdade, eu não conseguiria derrota-la. Estaria amaldiçoado para sempre a viver ao lado de uma feiticeira louca, e perder o meu grande amor. De que tinha adiantado todos os nossos momentos? Lucynda tão bela, seus olhos castanhos tão profundos que me prendiam tão facilmente, seu toque tão suave, seus lábios tão doces contra os meus. Ah, minha Lucynda, de que adiantaria todo meu amor por você, se eu estava agora destinado a viver ao lado de uma louca que estava prestes a possuir o seu puro coração?
Dorothea continuava a me olhar, em toda a minha desgraça. Levantei minha cabeça para poder encará-la, e quase que meu coração para de bater. Atrás de Dorothea estava Lucynda, seu dedo indicador sob os lábios, um sinal para que eu ficasse quieto. A adaga que antes estava sob seu coração, agora estava em sua mão, e ela não hesitou em enfiá-la com firmeza no pescoço de Dorothea, que abriu a boca, dando um último suspiro assustado, por ter sido pega de surpresa. Seu corpo tombou para frente, caindo sobre o meu. Tirei-a de cima de mim, e me levantei surpreso por ver Lucynda acordada, viva em minha frente.
-Como... Como isso aconteceu? – Perguntei, tocando-lhe a face, e distribuindo beijos pela mesma. A melhor sensação do mundo era sentir sua respiração em minha pele, poder ouvir sua risada.
-Seu amor por mim, me despertou para a vida, novamente. Você me salvou. – Disse ela segurando meu rosto entre suas mãos.
-Não, você me salvou. Eu estava prestes a ser condenado a uma vida miserável sem você e...
-Shh – Sussurrou ela, seu dedo impedindo-me de falar. – Então, salvamos um ao outro. – Fui obrigado a concordar. Nossos lábios se encontraram e ao me separar rapidamente dela, vi seu sorriso e sorri ao vê-lo. Ele era a luz que iluminava meus dias escuros, e que continuaria a iluminar pelo tempo que fosse preciso.

Concurso Literário "Escritores do Clube", 3º lugar: O Reino de Fairy

Oi Galera, hoje postaremos o conto que ficou em terceiro lugar no Concurso Literário "Escritores do Clube", espero que vocês gostem e comentem... :)


O REINO FAIRY


Eu corria como se os cães do inferno tivessem me perseguindo, e a ironia da situação é que eles estavam. O vento frio entrava nos meus pulmões queimando cada vez que eu inspirava e a vontade de parar e descansar era gritante, mas eu tinha que correr.
Sentia o bafo quente do meu pescoço, sabia que minha imaginação estava colaborando muito, mas não podia arriscar, a carga que eu levava era muito perigosa e importante para eu sequer cogitar diminuir o passo.

“Corre Liric, corre... “  eu ficava repetindo isso na minha mente como um mantra, eu não podia parar, eu tinha que chegar ao portal o mais rápido possível, não era só a minha vida que dependia dessa missão, todo o reino dependia de mim.

Isso só poderia ser uma piada do destino, o destino do reino nas minhas mãos? Só sendo piada mesmo. Mas infelizmente não era. Eu, a ‘fada rebelde’, tendo que andar na linha.

Os sterlins estavam se aproximando, eu sentia sua energia cada vez mais próxima. O medo estava se apoderando de mim e apertei o passo. Eu já podia ver a aurora, o portal estava próximo, corri cada vez mais rápido.

De repente uma enorme cratera surgiu à frente e só vi duas opções: ou eu corria mais e tentava pular, ou eu tentava enfrentar os sterlins. Mesmo sabendo que teria uma chance os enfrentando, afinal eu ainda tinha muita magia sobrando, minhas energias e poderes ainda estavam carregados das águas sagradas, mas o tempo estava curto e decidi ir pela primeira opção e pular o abismo. Talvez assim conseguisse ganhar mais tempo.
Ao chegar no abismo peguei impulso e me joguei, tudo parecia estar em câmera lenta e pelo visto o impulso não estava dando jeito, senti o peso da gravidade me puxando e tive que abrir as asas. Apesar de ter me salvado da queda chamou a atenção das bestas voadoras, eu deveria saber que aquela bruxa de uma figa não se contentaria só mandando os sterlins.
Ah, que se dane todos, eu aproveitei que já estava com as asas a postos e voei com tudo  que ainda tinha em mim. Senti garras rasgando minhas costas e a dor excruciante quase me derrubou, dei uma guinada para a esquerda e consegui fugir do golpe seguinte. Ao contrário das bestas terrestres, essas eram mais rápidas e mais espertas, eu tinha que fazer algo mais que simplesmente fugir. Mas o que eu faria?

Conseguia ver as bestas caninas com suas ácidas babas abaixo de mim, prontos para abocanhar qualquer parte do meu corpo que conseguissem e bastava uma simples mordida para ser condenada a uma dor tão horrível que a morte era preferível, e ao meu lado estavam aquelas aves horripilantes saídas dos piores pesadelos que alguém poderia ter, rápidas como raios e espertas como gremilins, e tão feia quanto, olhavam pra você como se soubessem que você seria a próxima refeição e gostavam de brincar com a comida.
Como eu poderia me livrar dessas duas bestas? “pensa Liric, pensa... “ Sejamos francos, pensar nunca foi meu forte, agir por impulso sim.

Descendo rapidamente fingi desistência, podia sentir a satisfação das bestas ao me ver aproximar cada vez mais rápido. No último momento, quando eu já estava sentindo o bafo podre das bestas no meu rosto e as garras das aves nas minhas costas mudei a direção e senti a satisfação ao ver aqueles caninos no pescoço da ave, o ganido foi alto suficiente pra me deixar desnorteada. Aprumando o mais rápido que pude corri em direção ao portal. Faltavam menos de 100 metros para eu chegar, era minha única chance. Chegando cada vez mais próximo do portal senti uma energia diferente, essa era mais pesada, mais pura, diferente de tudo que já senti. Até mesmo o precioso embrulho que carregava dentro da minha bolsa de couro ficou mais pesado, na verdade comecei a senti-lo mais quente também.

Finalmente o portal surgiu na minha frente. Independente de tudo o que eu estava sentindo me joguei nele. No começo não senti nada demais, depois de alguns minutos comecei a sentir um formigamento no corpo, me senti mudando, transformando, em quê eu não fazia a menor ideia. “Em que lugar o mestre Klaus está me mandado? O que é isso que está acontecendo comigo? Para onde eu estou indo?” eu me perguntava milhões de coisas ao mesmo tempo, minha cabeça girava, eu estava me sentido nauseada, estranha.
Olhando para as minhas mãos as vi mudando, ficando maiores, senti minhas asas se retraindo, meu corpo se esticando. No meio de toda essa transformação eu desmaiei.

Acordei ouvindo um vento forte, e outro som que eu não conseguia identificar, era água?. Abrindo os olhos aos poucos vi uma claridade muito forte, o que me fez fecha-los novamente. Uma segunda tentativa e consegui abrir totalmente meus olhos, no começo não consegui ver nada mas aos poucos as imagens foram se juntando, vi uma imensidão azul, aquilo era o céu? Nunca tinha visto nada tão claro e belo assim. Olhando ao redor vi varias coisas que não conseguia nomear, um monte de água que ia e vinha. Eu já tinha ouvido falar em algo assim, mas não poderia ser isso, eu não poderia estar aqui. É uma lenda. Isso não é real.

Comecei a ouvir vozes e... aquilo eram latidos? Ao ver as criaturas que se aproximavam eu não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo. Eles realmente existiam. Fiquei atônita, em choque.
Oh meu Deus, eu realmente estou no mundo dos humanos e um macho dessa espécie estava falando comigo...

- Oi, você está bem? Consegue me entender?
É claro que eu conseguia entendê-lo, só que minha garganta estava seca e eu ainda me encontrava paralisada para falar algo mais que sons ininteligíveis.

- Qual o seu nome? Você está sentindo dor? – o macho continuava a falar, eu tinha que falar algo ou então ele falaria para sempre, e minha cabeça já estava latejando e rodando o suficiente.
- Liric, o meu nome é Liric-, eu falei.

- Ótimo Liric, o meu nome é Marcos, mas se você quiser pode me chamar de Marc. É como meus amigos me chamam. Olha você parece ter sofrido algum tipo de acidente. Precisa de ajuda? Quer que eu chame um médico? Algum familiar?
Quando ele falou em chamar alguém um estalo surgiu na minha cabeça e me curvei. Eu sabia que esse era o sinal, eu estava próxima da minha primeira parada, eu tinha uma missão nesse lugar. Eu precisava encontrar as Musas e entregar seus poderes de volta, só assim o reino de Fairy teria uma chance de se reerguer e lutar contra Salina.

Vendo meu transtorno, o
macho humano, Marc, tentou me ajudar a me levantar e sorriu para mim. Senti meu rosto esquentar, uma reação nova e estranha, ao mesmo tempo. Talvez
o reino pudesse esperar um pouquinho, talvez esse humano Marc pudesse me ajudar e talvez, só talvez, eu conseguisse realizar a tal profecia e salvar Fairy...

terça-feira, 24 de julho de 2012

Concurso Literário ‘Escritores do Clube’ , 2º lugar: O Corvo da Cruz de Lenho

Confira o Conto que ganhou em Segundo lugar no
Concurso Literário "Escritores do Clube".

O corvo da Cruz de Lenho

Se você nasce como membro da Cruz de lenho, não te resta opção além de lutar. A nossa Sociedade – ou, como preferimos chamar, clã – caça Strigois e os destrói. Desertores tornam-se automaticamente inimigos piores do que as próprias criaturas sobrenaturais que caçamos, pois sabem demais para continuar sobrevivendo entre humanos inábeis. Foi neste meio sem escolha em que eu nasci. O posto de comandante ocupado pela minha mãe, Brianna, foi-lhe atribuído após o meu avô ser derrotado durante uma caçada, mas não antes de passar para ela todos os antigos segredos que são confiados apenas ao comandante. A honra e o dever de ser líder são hereditários, por isso, o mesmo destino irrefutável que tornou a minha mãe uma pessoa fria e distante está reservado para mim.
É comum que membros da Cruz de lenho relacionem-se para “manter a linhagem” confiável e para que não seja preciso revelar o nosso posto para pessoas comuns, mas, ainda assim, o segredo sobre quem é meu pai é guardado a sete chaves por Brianna. Foi durante uma discussão sobre esta incógnita que o meu destino, que eu pensava já estar selado, mudou completamente.
O meu 16º aniversário começou com uma fria manhã de inverno, na qual as nuvens encobriam o parco sol que deveria nos aquecer, tornando a sensação térmica ainda mais insuportável. Como acontece de segunda a sábado, levantamos de nossos colchonetes (postos sobre armações de metal para evitar a friagem do chão) e nos dirigimos à tenda que serve como copa. Vivemos como nômades, pois seria muito perigoso fixarmo-nos em um único local que poderia ser descoberto pelos Strigoi, tornando-se assim um alvo fácil para um ataque em massa. A caminho da copa, passo na barraca da minha mãe para aproveitar o pouco tempo que temos de privacidade. “Mãe?” Chamo enquanto abro o zíper. Assim começa a quarta-feira.
- Ravenna, parabéns por mais um ano de combate viva, mas você sabe que não pode me chamar assim. Aqui eu sou a comandante, e o que importa é a união de nossas almas, não os nossos laços sanguíneos.
- Eu sei, mas eu sinto falta de uma família.
- Você não pode sentir falta de algo que nunca teve, querida. – respondeu ela da maneira mais delicada que o posto de líder lhe permitia.
- Ainda assim, quero saber as minhas origens. Por que você nunca fala sobre o meu pai? Será meu presente de aniversário! – não consegui evitar a apelativa.
- Você conhece a sua ascendência. Obteve a dádiva de ser treinada pelo seu avô, o maior Comandante que este clã já teve. É tudo o que você precisa saber. Seu pai não é importan... – Brianna foi interrompida no final da frase pelo barulho do sino de alerta soando, indicando que um Strigoi fora capturado. Quando saímos, nos deparamos com quatro de nossos combatentes
carregando dois imortais estaqueados. O som de seus passos firmes e apressados nos guiou até a sala de extermínio.
Adentramos na sala e a primeira coisa em que reparo é nos cabelos sobre a maca. O ruivo dos Strigoi é característico devido a sua vivacidade contrastante com o resto do corpo frio. A pele excepcionalmente branca, os lábios avermelhados e os dentes caninos proeminentes dificilmente passam despercebidos, assim como o vermelho dos olhos. Entretanto, embora seja fácil identificá-los, capturar e derrotar um Strigoi é tremendamente difícil devido às vantagens físicas dos mesmos, que incluem velocidade e força excessivas, além da capacidade de se transformarem em animais e, nos primeiros anos após a transformação, ficarem invisíveis. Por isso a Cruz de lenho se ocupa dessa tarefa há séculos; afinal, mandar um morto-vivo definitivamente para a terra dos mortos requer muito treinamento. Minha mãe me disse que os Strigoi são conhecidos pelos outros humanos como vampiros, porém a noção deles é limitada e muitas vezes errônea. Para matar um strigoi não basta estaqueá-lo, você precisa queimá-lo. As estacas, se cravadas exatamente no coração, apenas imobilizam os mortos-vivos, e eles são repelidos e afetados por cruzes e água benta desde que a sua fé seja verdadeira, conferindo, assim, poder aos objetos sagrados.
Marge e David, o casal que estava montando guarda e foi responsável pela captura dos dois homens mortos-vivos, nos disseram que os strigoi caíram em uma armadilha montada ao redor do acampamento enquanto espionavam-nos. Após amarrar os dois strigoi pelos pulsos e tornozelos com trancas de ferro, eles são levados para o campo de incineração. Como é de costume, retiramos as estacas antes de queimá-los, pois em seu desespero muitos acabam revelando informações que nos são valiosas. Eu apenas não sabia o quanto as informações de hoje me atingiriam.
Assim que as estacam atingiram o chão, dois pares de olhos rubros encontraram os meus e, em uníssono, urraram: “Viu... Strigoi viu”. Em seguida, foram engolidos pelas chamas. Antes que eu pudesse processar o peso daquelas palavras, uma matilha de lobo irrompeu o acampamento: a frente deles, um lobo gigante veio diretamente em minha direção, atirando-me em suas costas enquanto deslocava-se para a floresta. Todo o resto do caminho foi um borrão.
Após 5 minutos (ou talvez tenham sido 5 horas) de inconsciência, desperto para me encontrar do lado de fora de uma caverna sentada sobre meus tornozelos, que estavam amarrados junto aos pulsos. Olhando-me, estavam centenas de pessoas e lobos. Quando as nuvens começam a desvanecer, confirmo o que eu já esperava: seus olhos, antes de um vermelho vibrante ocultados pela escuridão da floresta, agora, com a sombra da lua, brilham com íris prateadas. Estou cercada por strigois. O lobo maior avança e, no próximo passo, já possui aparência humana. É um strigoi transfigurador. Ele promete me desamarrar caso eu não tente fugir. Com as cordas soltas, vou massageando os pulsos enquanto escuto-o falar:
- Finalmente você está conosco, Ravenna. Sei que você está confusa, por isso tentarei explicar-lhe tudo da maneira mais simples o possível. Diferente do que lhe ensinaram nesses anos, um strigoi viu não é alguém vivo que foi amaldiçoado a se tornar uma criatura sobrenatural depois de morto. É um híbrido, o filho de um strigoi com uma humana, que recebeu a honra de tornar-se um strigoi após a morte. Está na hora de despertar a strigoi que você nasceu para ser e ocupar o seu lugar ao nosso lado, filha.
- Filha? Não, você está enganado! – luto para colocar coerência em meus pensamentos – Eu sou uma caçadora, e não uma anomalia. – A repulsa com a qual crispo a última palavra deixa claro que eu não aceitarei aquelas mentiras.
- Ravenna, você não pode se preterir assim. Deve sentir que hoje, no seu 16º aniversário, o seu corpo clama pela transformação, pois os nossos poderes lendários logo serão muito fortes para o seu corpo humano frágil. Não te resta opção além de se unir a nós. Desde o momento em que você deixou o acampamento, aqueles que até então juravam protegê-la passaram a caçá-la.
Ele estava certo, e oferecer resistência seria inútil; eu era uma Cruz de lenho no meio de centenas de strigois. Por isso, aceitei o treinamento aplicado pelo meu pai e me dediquei a aprender tudo que pudesse para usar contra eles quando chegasse a hora. Os strigoi descobriram o novo acampamento da Cruz de lenho e o ataque está marcado para a noite de segunda-feira, o dia da Lua. Então, na tarde do ataque, utilizo a técnica que aprendi para ficar invisível e consigo me esconder, preparando-me para contratacar. Uma hora após os strigoi terem marchado para o massacre, volto a ficar visível apenas por tempo suficiente para sentir a transfiguração começar. Lentamente, meus olhos se adaptam melhor à escuridão e asas surgem em minhas costas. Minha forma animal é a de um corvo. Levantando voo rumo às estacas que me esperam.
As labaredas que envolvem o local indicam que a batalha já terminou, e isso significa que eu estou atrasada, mas não irei desistir de minha meta. Mesmo que tenhamos perdido, ainda há alguém que eu posso – e preciso – salvar, e é com o rosto de Brianna em minha mente que eu alço voo e me lanço às chamas. Embora o fogo seja altamente letal para um strigoi, não posso abandoná-la. Minha transfiguração em corvo seria o suficiente para que eu passasse despercebida entre os caçadores, já que não tínhamos conhecimento de transfiguração nesse animal, mas isto não é necessário, já que o acampamento está destruído. Meus olhos faíscam quando, entre os destroços, avisto minha mãe presa a uma coluna. Eu sabia que, sendo meu pai, ele iria poupá-la.
Ravenna. O meu nome, que alude tanto a negro quanto a corvo, já indicava que um dia eu me tornaria um deles. Hoje sou uma junção dos dois, prestes a iniciar uma nova vida fugindo tanto de strigois quanto de caçadores da Cruz de lenho junto com a ex-comandante deles.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Concurso Literário ‘Escritores do Clube’ 1ºlugar: Sarah

        No blog da nossa autora parceira Ju Costa rolou uma promoção em parceria com o Clube do Livro Pernambuco, onde o objetivo era estimular a criatividade dos nossos participantes como futuros autores brasileiros.
        A Promoção era bem simples, o participante tinha que mandar um conto com tema sobrenatural de no máximo três páginas. Quem decidiu o vencedor foi um trio desconhecido dos participantes:

- Jessica Souza: Jornalista do Jornal do Commercio.
- Lucas Navarro: Escritor amador e professor de inglês.
- Danielle Botelho: Estudante de Letras e professora de inglês


*O 1º lugar levou pra casa um baú muito legal + o livro Edição do Autor de Agnus Dei: A Idade do Sangue + Marcador.
*O 2º e o 3º lugar levou pra casa um exemplar Edição o Autor de Agnus Dei: A Idade do Sangue + Marcador.


Abaixo segue o conto que ganhou o 1º lugar:


Sarah

O dia estava ensolarado hoje. Eu estava sentada na areia, com os pés dentro da água, olhos fechados, as ondas iam e vinham, e o vento estava forte.

Senti alguém tampando o sol que batia em meu rosto, abri os olhos e olhei para o lado. Era um garoto, de uns 17 anos e que me olhava.

— Ficar muito tempo no sol é perigoso, duvido que você fique menos bonita queimada, mas acho que vai ser desagradável. — Falou ele.

— Acho que da minha pele e do que faço, posso cuidar só, obrigada. — Respondi. Não gostava nada de pessoas que tentam se intrometer na minha vida. Ele riu e sentou na areia, ao meu lado, e puxou conversa.

— Você não é daqui, não é? Seu sotaque é um pouco diferente. — Falou olhando diretamente pra mim.

— Bom, daqui não, mas moro bem perto, é um lugar bem calmo.

— Sou Eric, qual o seu nome?

— Depois você vai descobrir.

— Hoje a noite meus amigos vão fazer um luau, você não quer ir comigo?

— Talvez, onde vai ser? — Perguntei um pouco animada, fazia um certo tempo que ninguém me chamava para alguma festa.

— No píer, às 21h. Espero você? — Perguntou com um sorriso de lado.

— Você que escolhe. — Me levantei e fui pra casa sem olhar para trás.

A praia perto do píer estava toda iluminada com tochas, pessoas dançavam no ritmo da música que tocava — Pelo menos algumas — e a lua brilhava no céu, estava na fase crescente, então parecia o sorriso do gato de Cheshire1. Nunca entendi a fascinação das pessoas pela lua, ela era apenas uma bola brilhante no céu, que nem luz própria tinha. Encontrei Eric encostado em uma pedra, ao lado de uma fogueira.

— Oi. — Falei chegando perto de onde ele estava.

— Olá, pensei que não vinha. Quer dançar?

— Claro. — E fomos Dançar...

Alguns minutos se passaram, e ainda estávamos dançando, um garoto chegou perto dele e lhe chamou, ele se afastou um pouco, e o garoto comentou algo com ele, que não ouvi. Mas logo ele voltou para perto de mim e começou a falar:

— Alguns amigos meus vão a um lugar aqui perto, um clube que está fechado para reforma, você quer ir?

1 Gato que é personagem da história Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol.

— Claro

A rua estava escura, só havia um um poste, que estava piscando. Um portão com algumas correntes estava na nossa frente, ele não era muito alto, então foi fácil pular. Haviam cerca de cinco pessoas conosco, e logo que entramos, elas se espalharam pelo clube, que era bem grande. Eric me guiou à piscina, e pulou.

— Você não vem? — Ele perguntou chegando perto da borda.

— Fico mais segura aqui, obrigada — Respondi me sentando na borda da piscina e colocando as pernas na água fria.

Encostei em algo de metal que tinha junto de onde eu estava e comecei a pensar, acho que me desliguei por alguns minutos, não sei ao certo. Olhei para a piscina, estava vazia.

— Eric? — Me levantei, tudo estava vazio, a luz do poste que estava na rua ainda piscava ao longe, e fazia o clima ficar meio assustador.

De repente sinto algo batendo contra as minhas costas, e eu caio na piscina.

— Agora nem adianta tentar sair que não deixo! Você não veio para cá e vai ficar olhando para o nada! — E pulou, nadando até o meu lado.

— Eric, é sério, eu tenho que sair. — Falei, eu estava congelando naquela água, e não era muito seguro eu ficar lá.

— Só te deixo sair se me disser seu nome. — Prendeu meus braços atrás das costas com as mãos e chegou perto de mim.

— Acredite, você não quer saber. — Falei séria.

— Então você não sai daqui.

De repente percebi que estava começando a perder o controle, minha visão estava estranha, eu estava tonta, e começava a sentir uma grande vontade de mergulhar com todas as forças na piscina, na água.

É, eu não devia ter entrado, agora eu tinha perdido o controle, novamente.

Eu comecei a bater as pernas com força, segurei na camisa dele — que ele não havia tirado, antes de pular, e agora estava encharcada — e comecei a puxá-lo para baixo.

— O..o quê? — Ele falou quando percebeu o que eu fazia.

Ele tentava se soltar, mas não conseguia, e eu ia puxando ele cada vez mais para baixo.

Cheguei ao fundo da piscina, que era bastante funda, e ele ainda se debatia, tentando se soltar, mas quando eu perdia o controle desse jeito, era impossível me parar.

Ele estava perdendo as forças e a consciência. Logo depois, sufocou.

Eu sentia minhas unhas perfurando a pele dele, despedaçando-a, e meus dentes entrando em contato com sua roupa e rasgando rapidamente, e cravando em sua pele.

Saí da piscina, quase limpa, por sorte o sangue não se espalhou muito, e nem restou nada dele como prova. Fui para a praia, e entrei no mar. Minha casa.

Não gosto, nem nunca gostei de fazer isso, mas sereias não são como as pessoas pensam; criaturas dos contos de fadas, todas boazinhas...

Elas são monstros.

Eu sou um monstro.

E meu nome é Sarah
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