terça-feira, 31 de julho de 2012

Concurso Literário "Escritores do Clube": Meu Mundo Misterioso

Mais um incrível conto feito por um participante do Clube para o Concurso Literário que rolou no evento passado.



Meu Mundo Misterioso

Um das minhas saídas à noite mais inesquecíveis foi uma que fiz pelo Recife Antigo. Comecei a caminhar pelas ruas que estavam bastante desertas, achei um pouco estranho, mas segui em frente. Minutos depois, quase chegando ao marco zero, percebi que havia uma festa. Cheguei mais perto, pude ver as luzes, músicas e batuques. Em alguns lugares pessoas soltavam fogos, estava bem movimentado, passei por varias pessoas que me olhavam, uns mais que os outros. Na entrada, um cartaz bem grande dizia FESTIVAL DE PODERES MÍSTICOS. Comecei a passar pelas barracas, acho que por ser novato na cidade fiquei impressionado com tudo que via, comprei amuletos, pedras de sorte, colares e um monte de coisas, mas algo me chamou atenção. Uma barraca que tinha o nome escrito, “Guardiões Sombrios.” Meu coração acelerou, ao chegar perto da moça que estava lá. Ela me encarou e começou a tremer, as luzes começaram a piscar e falava “Morte, muito sangue, morte...” − Morte? − O que ela esta falando? estava lá.
– Saia daqui! – Gritou. – Ai! − Gritou novamente. Sai às pressas esbarrando em várias pessoas que estavam no meu caminho, alguém me empurra e me viro.
− O que você está fazendo aqui, Guardião maldito? – Neste momento ele me empurrou com tanta força que voei e cai deitado.
 – Ai! – Gritei de dor e perguntei entre dentes − Quem é você? – Ele se aproximou de mim rapidamente.
− Meu nome é Brian Miller, eu sou um bruxo supremo. Seu pior pesadelo, guardião maldito! Por sua causa os Guardiões sombrios estão a caminho desta cidade, e vão destruir todos que estiverem contra, eles querem dominar o mundo e vocês, guardiões do bem, não vão conseguir matar eles. Por que você não foi para outra cidade? Por que a luta tem que ser aqui? Eles vão acabar com a cidade, matar crianças e pessoas boas. Agora é tarde de mais. – Ele baixa a cabeça e vejo lágrimas caindo do seu rosto.
− Eu não sei do que você está falando. – Consigo dizer quase chorando, ele tira do bolso uma varinha e aponta para meu rosto e antes de começar a falar é interrompido por 11 estranhos.
− Ele está falando a verdade. Nós tentamos proteger-lo dos guardiões sombrios, mas não pudemos impedir dele vir para Recife, nós também queríamos isso Brian. Nós guardiões não temos a menor chance contra os sombrios, mas com a ajuda de vocês bruxos e magos temos vantagem de vencer essa luta e proteger a terra.
− Eles estão na cidade, eu sinto a presença deles. – Ele deu uma pausa. − Eles estão vindo para cá. – Brian quase gritava. – Eles querem que a luta seja aqui, não podemos deixar isso acontecer.   
Eu não sabia o que estava a caminho, mas algo dentro de mim não estava com medo.
− Vamos ao encontro deles! – Digo. 
Quando encontramos estranhos no meio da noite não deveríamos ter medo.  − Eu sei, é difícil confiar em um estranho, mas na história da minha vida eles podem ser a única salvação da terra. Ou a destruição dela. − Às vezes me bate uma vontade tão grande de fazer coisas erradas, aquelas mais bizarras que alguém pode imaginar. Não me levem a mal, mas não sei por que não consigo ser feliz. Faço tudo que acho que é certo; não fumo; não bebo; não tenho amigos que tentam me levar para um mau caminho; alias não tenho amigos, estudo; leio. Sinto que falta algo, uma garota seria a resposta? Se apaixonar, esse seria o segredo da felicidade? − Acho que não. − O que aconteceria se eu morresse? − Por mais que quisesse uma resposta eu não iria encontrar. Morte, não é bem o que eu queria aos meus 16/17 anos, mas não se pode escolher quanto tempo queremos viver, principalmente neste mundo em que vivemos. Guardiões do bem e do mal iniciando uma guerra, onde bruxos e magos iriam intervir e eu, vulnerável a tudo e a todos. Entretanto não tinha escolha, depois de tudo que passei estava disposto a encontrar o que não queria. A morte. Isso seria meu fim ou apenas um novo começo? Se a imortalidade existisse, seria um novo começo, mas como todos nós somos mortais: Isto seria meu fim. Avançamos em direção aos nossos inimigos, não sabia o que estava fazendo ali, só sei que meu corpo pegava fogo por dentro e por fora, eu estava em chamas e em segundos eu estava me transformando, meu tamanho triplicou, meus braços ficaram longos e finos, meus antebraços e minhas mãos enormes, meu corpo era a parte mais estranha, a pele parecia de jacaré e minha cor de um amarelo avermelhado. E meu rosto, bem, meu rosto, pegava fogo. Chamas que não paravam. Bolas de choque saiam das minhas mãos involuntariamente, mais tarde descobri que eu era um guardião dayon, um tipo de alfa do grupo e o único que se transformava. Os guardiões sombrios tinham armas de fogo em seus braços, pernas, cabeça, cada um tinha uma parte do corpo com alguma mutação, estávamos em um número menor, os Bruxos soltavam raios de suas varinhas, de variadas cores, negras, vermelhas, azuis, brancas, verdes e os magos lutavam bravamente com suas espadas, arcos e etc. Não posso negar que haveria muitas mortes no final disso tudo (eu tiraria do “disso tudo”). As pessoas que estavam na rua gritavam se escondiam e algumas realmente morriam, nós tínhamos nos afastado da festa, mas o Recife antigo é grande, e sempre tem algumas pessoas pelo caminho, próximo de uma ponte que não sabia qual era. Casas pegavam fogo, prédios caiam, carros explodiam. Os guardiões do bem tinham vários poderes como controlar ar, água, fogo, terra e entre outros. O chão se abria onde menos esperávamos, e a ponte, ela se rachou toda e começou a se desmoronar caindo na maré. Membros dos guardiões sombrios morriam rapidamente, eles agora estavam em um menor número. Eu lançava meus braços para frente e saiam bolas de choque que atingiam eles, ou outras coisas. Não me culpem se matei alguns humanos que estavam na rua. Sou novo nisso. Os sombrios tentavam fugir e de repente a maré começou a formar ondas enormes, iam em direção dos sombrios que tentavam fugir. Agora todos corriam, e nós fomos atrás, avistei uma ponte de ferro, e eles iriam passar por elas. Um furacão proibiu a passada deles que recuaram e eu sabia que a batalha estava acabando. Os bruxos uniram seus raios em um só e nós guardiões também juntamos nossos poderes. Os guardiões sombrios atacaram todos de uma vez e uma explosão desconhecida aconteceu. E eu apaguei por completo. Ao despertar estava em um hospital, junto com alguns dos bruxos e guardiões do bem. Meu pai estava dormido na cadeira ao lado, olhei pro outro lado e vi que Brian sorria para mim. – Conseguimos. – Disse sussurrando e levantando os braços em ritmo de vitória. Sorri.
As autoridades disseram que o caso ocorrido foi inexplicável e que foi obra do clima. Algumas pessoas disseram ter visto monstros, e jovens lutando com espadas e tudo mais. Entretanto não tinham provas. Nós que estávamos lutando, omitimos os fatos. Dissemos que havia muita ventania, e que o chão se abria em algumas partes. Às vezes, nem eu tenho certeza que realmente aconteceu. Só tenho certeza de uma coisa: as pessoas vivem em um mundo misterioso e não sabem. E eu, eu sou um estranho.



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