quarta-feira, 25 de julho de 2012

Concurso Literário "Escritores do Clube", 3º lugar: O Reino de Fairy

Oi Galera, hoje postaremos o conto que ficou em terceiro lugar no Concurso Literário "Escritores do Clube", espero que vocês gostem e comentem... :)


O REINO FAIRY


Eu corria como se os cães do inferno tivessem me perseguindo, e a ironia da situação é que eles estavam. O vento frio entrava nos meus pulmões queimando cada vez que eu inspirava e a vontade de parar e descansar era gritante, mas eu tinha que correr.
Sentia o bafo quente do meu pescoço, sabia que minha imaginação estava colaborando muito, mas não podia arriscar, a carga que eu levava era muito perigosa e importante para eu sequer cogitar diminuir o passo.

“Corre Liric, corre... “  eu ficava repetindo isso na minha mente como um mantra, eu não podia parar, eu tinha que chegar ao portal o mais rápido possível, não era só a minha vida que dependia dessa missão, todo o reino dependia de mim.

Isso só poderia ser uma piada do destino, o destino do reino nas minhas mãos? Só sendo piada mesmo. Mas infelizmente não era. Eu, a ‘fada rebelde’, tendo que andar na linha.

Os sterlins estavam se aproximando, eu sentia sua energia cada vez mais próxima. O medo estava se apoderando de mim e apertei o passo. Eu já podia ver a aurora, o portal estava próximo, corri cada vez mais rápido.

De repente uma enorme cratera surgiu à frente e só vi duas opções: ou eu corria mais e tentava pular, ou eu tentava enfrentar os sterlins. Mesmo sabendo que teria uma chance os enfrentando, afinal eu ainda tinha muita magia sobrando, minhas energias e poderes ainda estavam carregados das águas sagradas, mas o tempo estava curto e decidi ir pela primeira opção e pular o abismo. Talvez assim conseguisse ganhar mais tempo.
Ao chegar no abismo peguei impulso e me joguei, tudo parecia estar em câmera lenta e pelo visto o impulso não estava dando jeito, senti o peso da gravidade me puxando e tive que abrir as asas. Apesar de ter me salvado da queda chamou a atenção das bestas voadoras, eu deveria saber que aquela bruxa de uma figa não se contentaria só mandando os sterlins.
Ah, que se dane todos, eu aproveitei que já estava com as asas a postos e voei com tudo  que ainda tinha em mim. Senti garras rasgando minhas costas e a dor excruciante quase me derrubou, dei uma guinada para a esquerda e consegui fugir do golpe seguinte. Ao contrário das bestas terrestres, essas eram mais rápidas e mais espertas, eu tinha que fazer algo mais que simplesmente fugir. Mas o que eu faria?

Conseguia ver as bestas caninas com suas ácidas babas abaixo de mim, prontos para abocanhar qualquer parte do meu corpo que conseguissem e bastava uma simples mordida para ser condenada a uma dor tão horrível que a morte era preferível, e ao meu lado estavam aquelas aves horripilantes saídas dos piores pesadelos que alguém poderia ter, rápidas como raios e espertas como gremilins, e tão feia quanto, olhavam pra você como se soubessem que você seria a próxima refeição e gostavam de brincar com a comida.
Como eu poderia me livrar dessas duas bestas? “pensa Liric, pensa... “ Sejamos francos, pensar nunca foi meu forte, agir por impulso sim.

Descendo rapidamente fingi desistência, podia sentir a satisfação das bestas ao me ver aproximar cada vez mais rápido. No último momento, quando eu já estava sentindo o bafo podre das bestas no meu rosto e as garras das aves nas minhas costas mudei a direção e senti a satisfação ao ver aqueles caninos no pescoço da ave, o ganido foi alto suficiente pra me deixar desnorteada. Aprumando o mais rápido que pude corri em direção ao portal. Faltavam menos de 100 metros para eu chegar, era minha única chance. Chegando cada vez mais próximo do portal senti uma energia diferente, essa era mais pesada, mais pura, diferente de tudo que já senti. Até mesmo o precioso embrulho que carregava dentro da minha bolsa de couro ficou mais pesado, na verdade comecei a senti-lo mais quente também.

Finalmente o portal surgiu na minha frente. Independente de tudo o que eu estava sentindo me joguei nele. No começo não senti nada demais, depois de alguns minutos comecei a sentir um formigamento no corpo, me senti mudando, transformando, em quê eu não fazia a menor ideia. “Em que lugar o mestre Klaus está me mandado? O que é isso que está acontecendo comigo? Para onde eu estou indo?” eu me perguntava milhões de coisas ao mesmo tempo, minha cabeça girava, eu estava me sentido nauseada, estranha.
Olhando para as minhas mãos as vi mudando, ficando maiores, senti minhas asas se retraindo, meu corpo se esticando. No meio de toda essa transformação eu desmaiei.

Acordei ouvindo um vento forte, e outro som que eu não conseguia identificar, era água?. Abrindo os olhos aos poucos vi uma claridade muito forte, o que me fez fecha-los novamente. Uma segunda tentativa e consegui abrir totalmente meus olhos, no começo não consegui ver nada mas aos poucos as imagens foram se juntando, vi uma imensidão azul, aquilo era o céu? Nunca tinha visto nada tão claro e belo assim. Olhando ao redor vi varias coisas que não conseguia nomear, um monte de água que ia e vinha. Eu já tinha ouvido falar em algo assim, mas não poderia ser isso, eu não poderia estar aqui. É uma lenda. Isso não é real.

Comecei a ouvir vozes e... aquilo eram latidos? Ao ver as criaturas que se aproximavam eu não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo. Eles realmente existiam. Fiquei atônita, em choque.
Oh meu Deus, eu realmente estou no mundo dos humanos e um macho dessa espécie estava falando comigo...

- Oi, você está bem? Consegue me entender?
É claro que eu conseguia entendê-lo, só que minha garganta estava seca e eu ainda me encontrava paralisada para falar algo mais que sons ininteligíveis.

- Qual o seu nome? Você está sentindo dor? – o macho continuava a falar, eu tinha que falar algo ou então ele falaria para sempre, e minha cabeça já estava latejando e rodando o suficiente.
- Liric, o meu nome é Liric-, eu falei.

- Ótimo Liric, o meu nome é Marcos, mas se você quiser pode me chamar de Marc. É como meus amigos me chamam. Olha você parece ter sofrido algum tipo de acidente. Precisa de ajuda? Quer que eu chame um médico? Algum familiar?
Quando ele falou em chamar alguém um estalo surgiu na minha cabeça e me curvei. Eu sabia que esse era o sinal, eu estava próxima da minha primeira parada, eu tinha uma missão nesse lugar. Eu precisava encontrar as Musas e entregar seus poderes de volta, só assim o reino de Fairy teria uma chance de se reerguer e lutar contra Salina.

Vendo meu transtorno, o
macho humano, Marc, tentou me ajudar a me levantar e sorriu para mim. Senti meu rosto esquentar, uma reação nova e estranha, ao mesmo tempo. Talvez
o reino pudesse esperar um pouquinho, talvez esse humano Marc pudesse me ajudar e talvez, só talvez, eu conseguisse realizar a tal profecia e salvar Fairy...
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