sexta-feira, 27 de julho de 2012

Concurso Literário "Escritores do Clube": Caça as Bruxas em Fells Liveway


Confiram mais esse conto que foi um dos concorrentes do Concurso Literário "Escritores do Clube" 

Caça as Bruxas em Fells Liveway


Em um mundo paralelo ao nosso, onde deuses, demônios e poderes eram vistos como meros títulos e um tabu para toda a sociedade - seja do vilarejo Fells Liveway ou do próprio planeta. A idade média - ou a era das trevas para alguns - passava a se tornar ainda mais sombria e toda a população do vilarejo sentia que tempos difíceis estavam para se tornar realidade.

Alguns incidentes aconteceram, e estes foram: queimação na plantação, animais encontrados mortos de formas terríveis e grandes desenhos ao redor do cemitério. Parecia até que alguém queria fazer uma brincadeira com todos os moradores, mas ela estava começando a passar dos limites. Crianças tinham medo, pais estavam sem saber o que fazer, e alguns, já haviam ido embora sem deixar pistas. O terror estava, aos poucos, tomando conta daquele pequeno vilarejo. Até mesmo as bruxas inocentes – as poucas existentes – estavam sendo afetadas.

Gabriella já não mais sentia prazer em experimentar novas receitas mágicas, em testar novas poções, coisas que ela adorava fazer. Mesmo não praticando magia contra os outros, sentia que qualquer coisa seria usada contra ela, se fosse vista. Também não saia de casa fazia bastante tempo, temendo ser linchada do lugar.

- Que povo mais ignorante. – resmungava solitária, em sua cozinha, espiando pela janela o movimento nas ruas. – Não vou ajuda-los a achar as bruxas malfeitoras. Não tenho nada a ver com isso.

Do lado de fora de sua humilde casa – pelo menos, humilde em comparação a casa das outras bruxas – a mesma cena se repetia todos os dias. Corajosos moradores apareciam com tridentes, facas, cutelos, porretes e machados, na esperança de livrarem o lugar dos praticantes de magia.

Por segurança, a jovem bruxa selava sua casa com uma espécie de proteção, não permitindo a entrada de pessoas comuns. Pelo menos, assim estaria um pouco mais segura. Mas, com seus poderes bastante escassos, Gabriella não conseguiria manter essa proteção por muito tempo. Provavelmente, em poucas horas, estaria mais sem como se defender, em caso de uma invasão.

Em frente a casa, a multidão parecia estar cada vez mais confiante. Alguns já tentavam derrubar a porta, a chutes e empurrões.

- Eu não tenho mais nenhum selo de proteção. – e pensou no que deveria fazer, assustada. – Tenho que fugir.

Rapidamente, agarrou dois pequenos fracos, com uma substância escarlate, e colocou-os dentro dos bolsos. Com aquelas poções, poderia curar qualquer fratura ou dano rapidamente. Deu uma última olhada pela janela. As pessoas agora usavam suas armas para quebrar a porta. Definitivamente, a proteção não aguentaria mais.

- É agora, tenho certeza de que vamos derrubá-la! – o líder do grupo de invasores agora berrava ansioso para por um fim nisso tudo. Já tinha se passado muito tempo, e a cada dia, praticantes de magia machucavam cada vez mais as pessoas que amava.

Gabriella agora corria, subindo as escadas, em direção ao primeiro andar de sua casa. Tinha um plano. Quando estivesse pronta, era só usar os poderes que ainda restavam em seu corpo e se transportar para bem longe dali, podendo, assim, tentar viver em paz.

A proteção já não era mais forte e a qualquer momento poderia se acabar. O líder do grupo tinha cada vez mais certeza que conseguiria entrar, e excitava os outros a manterem a força e continuar. Um grande estralo foi emitido, e a porta finalmente se rachou.

Sem delongas, toda a multidão adentrou a casa quebrando tudo o que encontrava a frente, desde objetos não mágicos até mesmo caldeirões utilizados para curas. - Continuem destruindo tudo! E outros me acompanhem! A maldita deve esta no andar de cima. - Gritou o líder.

E assim eles fizeram, os que tinham armas menores continuaram destruindo tudo do andar abaixo. E os outros, subiram rapidamente no encontro da bondosa bruxa que ainda permanecia lá em cima.

Mais um estralo foi emitido, a segunda porta do andar no qual Gabriella estava foi derrubada. Com medo, mesmo sabendo que poderia sair dali a qualquer momento ela permaneceu parada ao lado da janela. - Ela esta ali! Corram. Cerquem-na e a matem. - Um homem que segurava uma faca gritou. E assim os outros o fizeram, todos correram em direção a mulher, a humanidade não parecia mais a mesma, era como se ela fosse a carne, e eles naquele momento os canibais.

Vultos rapidamente adentraram a janela, eram dois. E esses dois se transformaram em velhas bruxas que diferente de Gabriella possuíam um sentimento de ódio, o que para ser visto pelos olhares.

Assustados, o grupo de pessoas recuou. Alguns se prepararam para voltar correndo ao andar debaixo, mas era tarde demais. Ambas as velhas ergueram as mãos, juntando toda a energia que conseguiram. Uma esfera brilhosa, com uma cor vermelha bastante vibrante, se formou.

- Não ousem mexer com uma de nosso clã!

E com essas palavras, a esfera praticamente dobrou de tamanho, e foi disparada na direção dos humanos, explodindo tudo que encontrava pelo seu caminho. O barulho de madeira caindo assustou as pessoas do andar inferior da casa, que congelaram, temerosos com o que tinha acabado de acontecer.

Um pouco machucada com o feitiço, Gabriella, ainda se protegendo com as mãos, perguntou:

- Quem são vocês? – e tossiu, por causa da poeira. – O que querem?
- Não tenha medo, jovem. – a mais velha respondeu, esticando sua mão direita, bastante enrugada, em direção a jovem bruxa. – Viemos para te levar junto conosco, para um lugar melhor, longe desses medíocres humanos.
- Vamos para a cidade vizinha, Beruhige. – foi a vez da outra bruxa, a mais nova, mas também muito velha. – E juntas, nós três, vamos acabar com tudo isso. Faremos esses humanos, sem capacidade alguma, se arrependerem de nos caçar. Vamos liberar o uso da magia.
- E vamos derrotar qualquer humano que aparecer em nosso caminho. – a outra sorriu, com perversidade. – Qualquer um.

Não. Não era isso que Gabriella queria. Seu maior sonho era viver em paz, em um mundo sem diferenças. Todos seriam iguais, mesmo sendo diferentes. Bruxas teriam os mesmos direitos dos humanos. Ambos poderiam estudar magia, sem discriminação. Os humanos poderiam até mesmo fazer experiências utilizando propriedades mágicas! Isso seria realmente incrível.

- Eu entendo vocês, mas não é isso que eu desejo. – Gabriella levantou-se, tirou a poeira de sua roupa e olhou firmemente para elas. – Não vou me juntar a vocês, sinto muito.

As velhas se entreolharam, e sorriram, macabramente.

- Se é assim, então também sentimos muito.
- Não gostamos de abandonar nossas irmãs-bruxas, mas você pediu por isso.

Novamente, a cena estava prestes a se repetir. Já com os braços levantados, uma nova esfera apareceu dessa vez, com uma cor lilás, bastante chamativa. Por um momento, elas pareceram hesitar um pouco, mas isso não aconteceu. O tamanho da esfera foi triplicado, e lançado em direção a pobre bruxa.

A explosão foi barulhenta, mas Gabriella conseguiu se salvar. Na mesma hora em que a esfera se aproximava, a garota fechou os olhos e esticou a mão. O seu poder não era tão grande para desfazê-la, mas pelo menos pôde diminuir o poder do ataque e por isso, se machucou um pouco e alguns dos objetos do local se quebraram.

Ela poderia ter ido com as velhas bruxas, mas algo em seu coração dizia que não. Mesmo sofrendo consequências ela não deveria ir, ela queria um mundo melhor para se viver, e for com as velhas não faria isso. Apenas a salvaria, mas o mundo de fato não seria o mesmo.

A multidão novamente se uniu, Gabriella estava ainda mais sem forças e com medo. O seu sonho naquele momento já não poderia virar mais realidade, a pobre bruxa mal tinha forças para se levantar talvez ela pudesse até escapar. Seus pensamentos não estavam mais presentes ali, ela voltou a sonhar, na esperança em que um dia vivesse em harmonia com todos. Cansada e sem forças para lutar, fechou os olhos, e desmaiou.

Não se ouviu falar mais de bruxas ou outros seres fantásticos em Fells Liveway desde então.
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