segunda-feira, 23 de julho de 2012

Concurso Literário ‘Escritores do Clube’ 1ºlugar: Sarah

        No blog da nossa autora parceira Ju Costa rolou uma promoção em parceria com o Clube do Livro Pernambuco, onde o objetivo era estimular a criatividade dos nossos participantes como futuros autores brasileiros.
        A Promoção era bem simples, o participante tinha que mandar um conto com tema sobrenatural de no máximo três páginas. Quem decidiu o vencedor foi um trio desconhecido dos participantes:

- Jessica Souza: Jornalista do Jornal do Commercio.
- Lucas Navarro: Escritor amador e professor de inglês.
- Danielle Botelho: Estudante de Letras e professora de inglês


*O 1º lugar levou pra casa um baú muito legal + o livro Edição do Autor de Agnus Dei: A Idade do Sangue + Marcador.
*O 2º e o 3º lugar levou pra casa um exemplar Edição o Autor de Agnus Dei: A Idade do Sangue + Marcador.


Abaixo segue o conto que ganhou o 1º lugar:


Sarah

O dia estava ensolarado hoje. Eu estava sentada na areia, com os pés dentro da água, olhos fechados, as ondas iam e vinham, e o vento estava forte.

Senti alguém tampando o sol que batia em meu rosto, abri os olhos e olhei para o lado. Era um garoto, de uns 17 anos e que me olhava.

— Ficar muito tempo no sol é perigoso, duvido que você fique menos bonita queimada, mas acho que vai ser desagradável. — Falou ele.

— Acho que da minha pele e do que faço, posso cuidar só, obrigada. — Respondi. Não gostava nada de pessoas que tentam se intrometer na minha vida. Ele riu e sentou na areia, ao meu lado, e puxou conversa.

— Você não é daqui, não é? Seu sotaque é um pouco diferente. — Falou olhando diretamente pra mim.

— Bom, daqui não, mas moro bem perto, é um lugar bem calmo.

— Sou Eric, qual o seu nome?

— Depois você vai descobrir.

— Hoje a noite meus amigos vão fazer um luau, você não quer ir comigo?

— Talvez, onde vai ser? — Perguntei um pouco animada, fazia um certo tempo que ninguém me chamava para alguma festa.

— No píer, às 21h. Espero você? — Perguntou com um sorriso de lado.

— Você que escolhe. — Me levantei e fui pra casa sem olhar para trás.

A praia perto do píer estava toda iluminada com tochas, pessoas dançavam no ritmo da música que tocava — Pelo menos algumas — e a lua brilhava no céu, estava na fase crescente, então parecia o sorriso do gato de Cheshire1. Nunca entendi a fascinação das pessoas pela lua, ela era apenas uma bola brilhante no céu, que nem luz própria tinha. Encontrei Eric encostado em uma pedra, ao lado de uma fogueira.

— Oi. — Falei chegando perto de onde ele estava.

— Olá, pensei que não vinha. Quer dançar?

— Claro. — E fomos Dançar...

Alguns minutos se passaram, e ainda estávamos dançando, um garoto chegou perto dele e lhe chamou, ele se afastou um pouco, e o garoto comentou algo com ele, que não ouvi. Mas logo ele voltou para perto de mim e começou a falar:

— Alguns amigos meus vão a um lugar aqui perto, um clube que está fechado para reforma, você quer ir?

1 Gato que é personagem da história Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol.

— Claro

A rua estava escura, só havia um um poste, que estava piscando. Um portão com algumas correntes estava na nossa frente, ele não era muito alto, então foi fácil pular. Haviam cerca de cinco pessoas conosco, e logo que entramos, elas se espalharam pelo clube, que era bem grande. Eric me guiou à piscina, e pulou.

— Você não vem? — Ele perguntou chegando perto da borda.

— Fico mais segura aqui, obrigada — Respondi me sentando na borda da piscina e colocando as pernas na água fria.

Encostei em algo de metal que tinha junto de onde eu estava e comecei a pensar, acho que me desliguei por alguns minutos, não sei ao certo. Olhei para a piscina, estava vazia.

— Eric? — Me levantei, tudo estava vazio, a luz do poste que estava na rua ainda piscava ao longe, e fazia o clima ficar meio assustador.

De repente sinto algo batendo contra as minhas costas, e eu caio na piscina.

— Agora nem adianta tentar sair que não deixo! Você não veio para cá e vai ficar olhando para o nada! — E pulou, nadando até o meu lado.

— Eric, é sério, eu tenho que sair. — Falei, eu estava congelando naquela água, e não era muito seguro eu ficar lá.

— Só te deixo sair se me disser seu nome. — Prendeu meus braços atrás das costas com as mãos e chegou perto de mim.

— Acredite, você não quer saber. — Falei séria.

— Então você não sai daqui.

De repente percebi que estava começando a perder o controle, minha visão estava estranha, eu estava tonta, e começava a sentir uma grande vontade de mergulhar com todas as forças na piscina, na água.

É, eu não devia ter entrado, agora eu tinha perdido o controle, novamente.

Eu comecei a bater as pernas com força, segurei na camisa dele — que ele não havia tirado, antes de pular, e agora estava encharcada — e comecei a puxá-lo para baixo.

— O..o quê? — Ele falou quando percebeu o que eu fazia.

Ele tentava se soltar, mas não conseguia, e eu ia puxando ele cada vez mais para baixo.

Cheguei ao fundo da piscina, que era bastante funda, e ele ainda se debatia, tentando se soltar, mas quando eu perdia o controle desse jeito, era impossível me parar.

Ele estava perdendo as forças e a consciência. Logo depois, sufocou.

Eu sentia minhas unhas perfurando a pele dele, despedaçando-a, e meus dentes entrando em contato com sua roupa e rasgando rapidamente, e cravando em sua pele.

Saí da piscina, quase limpa, por sorte o sangue não se espalhou muito, e nem restou nada dele como prova. Fui para a praia, e entrei no mar. Minha casa.

Não gosto, nem nunca gostei de fazer isso, mas sereias não são como as pessoas pensam; criaturas dos contos de fadas, todas boazinhas...

Elas são monstros.

Eu sou um monstro.

E meu nome é Sarah
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