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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Concurso Literário "Escritores do Clube", 3º lugar: O Reino de Fairy

Oi Galera, hoje postaremos o conto que ficou em terceiro lugar no Concurso Literário "Escritores do Clube", espero que vocês gostem e comentem... :)


O REINO FAIRY


Eu corria como se os cães do inferno tivessem me perseguindo, e a ironia da situação é que eles estavam. O vento frio entrava nos meus pulmões queimando cada vez que eu inspirava e a vontade de parar e descansar era gritante, mas eu tinha que correr.
Sentia o bafo quente do meu pescoço, sabia que minha imaginação estava colaborando muito, mas não podia arriscar, a carga que eu levava era muito perigosa e importante para eu sequer cogitar diminuir o passo.

“Corre Liric, corre... “  eu ficava repetindo isso na minha mente como um mantra, eu não podia parar, eu tinha que chegar ao portal o mais rápido possível, não era só a minha vida que dependia dessa missão, todo o reino dependia de mim.

Isso só poderia ser uma piada do destino, o destino do reino nas minhas mãos? Só sendo piada mesmo. Mas infelizmente não era. Eu, a ‘fada rebelde’, tendo que andar na linha.

Os sterlins estavam se aproximando, eu sentia sua energia cada vez mais próxima. O medo estava se apoderando de mim e apertei o passo. Eu já podia ver a aurora, o portal estava próximo, corri cada vez mais rápido.

De repente uma enorme cratera surgiu à frente e só vi duas opções: ou eu corria mais e tentava pular, ou eu tentava enfrentar os sterlins. Mesmo sabendo que teria uma chance os enfrentando, afinal eu ainda tinha muita magia sobrando, minhas energias e poderes ainda estavam carregados das águas sagradas, mas o tempo estava curto e decidi ir pela primeira opção e pular o abismo. Talvez assim conseguisse ganhar mais tempo.
Ao chegar no abismo peguei impulso e me joguei, tudo parecia estar em câmera lenta e pelo visto o impulso não estava dando jeito, senti o peso da gravidade me puxando e tive que abrir as asas. Apesar de ter me salvado da queda chamou a atenção das bestas voadoras, eu deveria saber que aquela bruxa de uma figa não se contentaria só mandando os sterlins.
Ah, que se dane todos, eu aproveitei que já estava com as asas a postos e voei com tudo  que ainda tinha em mim. Senti garras rasgando minhas costas e a dor excruciante quase me derrubou, dei uma guinada para a esquerda e consegui fugir do golpe seguinte. Ao contrário das bestas terrestres, essas eram mais rápidas e mais espertas, eu tinha que fazer algo mais que simplesmente fugir. Mas o que eu faria?

Conseguia ver as bestas caninas com suas ácidas babas abaixo de mim, prontos para abocanhar qualquer parte do meu corpo que conseguissem e bastava uma simples mordida para ser condenada a uma dor tão horrível que a morte era preferível, e ao meu lado estavam aquelas aves horripilantes saídas dos piores pesadelos que alguém poderia ter, rápidas como raios e espertas como gremilins, e tão feia quanto, olhavam pra você como se soubessem que você seria a próxima refeição e gostavam de brincar com a comida.
Como eu poderia me livrar dessas duas bestas? “pensa Liric, pensa... “ Sejamos francos, pensar nunca foi meu forte, agir por impulso sim.

Descendo rapidamente fingi desistência, podia sentir a satisfação das bestas ao me ver aproximar cada vez mais rápido. No último momento, quando eu já estava sentindo o bafo podre das bestas no meu rosto e as garras das aves nas minhas costas mudei a direção e senti a satisfação ao ver aqueles caninos no pescoço da ave, o ganido foi alto suficiente pra me deixar desnorteada. Aprumando o mais rápido que pude corri em direção ao portal. Faltavam menos de 100 metros para eu chegar, era minha única chance. Chegando cada vez mais próximo do portal senti uma energia diferente, essa era mais pesada, mais pura, diferente de tudo que já senti. Até mesmo o precioso embrulho que carregava dentro da minha bolsa de couro ficou mais pesado, na verdade comecei a senti-lo mais quente também.

Finalmente o portal surgiu na minha frente. Independente de tudo o que eu estava sentindo me joguei nele. No começo não senti nada demais, depois de alguns minutos comecei a sentir um formigamento no corpo, me senti mudando, transformando, em quê eu não fazia a menor ideia. “Em que lugar o mestre Klaus está me mandado? O que é isso que está acontecendo comigo? Para onde eu estou indo?” eu me perguntava milhões de coisas ao mesmo tempo, minha cabeça girava, eu estava me sentido nauseada, estranha.
Olhando para as minhas mãos as vi mudando, ficando maiores, senti minhas asas se retraindo, meu corpo se esticando. No meio de toda essa transformação eu desmaiei.

Acordei ouvindo um vento forte, e outro som que eu não conseguia identificar, era água?. Abrindo os olhos aos poucos vi uma claridade muito forte, o que me fez fecha-los novamente. Uma segunda tentativa e consegui abrir totalmente meus olhos, no começo não consegui ver nada mas aos poucos as imagens foram se juntando, vi uma imensidão azul, aquilo era o céu? Nunca tinha visto nada tão claro e belo assim. Olhando ao redor vi varias coisas que não conseguia nomear, um monte de água que ia e vinha. Eu já tinha ouvido falar em algo assim, mas não poderia ser isso, eu não poderia estar aqui. É uma lenda. Isso não é real.

Comecei a ouvir vozes e... aquilo eram latidos? Ao ver as criaturas que se aproximavam eu não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo. Eles realmente existiam. Fiquei atônita, em choque.
Oh meu Deus, eu realmente estou no mundo dos humanos e um macho dessa espécie estava falando comigo...

- Oi, você está bem? Consegue me entender?
É claro que eu conseguia entendê-lo, só que minha garganta estava seca e eu ainda me encontrava paralisada para falar algo mais que sons ininteligíveis.

- Qual o seu nome? Você está sentindo dor? – o macho continuava a falar, eu tinha que falar algo ou então ele falaria para sempre, e minha cabeça já estava latejando e rodando o suficiente.
- Liric, o meu nome é Liric-, eu falei.

- Ótimo Liric, o meu nome é Marcos, mas se você quiser pode me chamar de Marc. É como meus amigos me chamam. Olha você parece ter sofrido algum tipo de acidente. Precisa de ajuda? Quer que eu chame um médico? Algum familiar?
Quando ele falou em chamar alguém um estalo surgiu na minha cabeça e me curvei. Eu sabia que esse era o sinal, eu estava próxima da minha primeira parada, eu tinha uma missão nesse lugar. Eu precisava encontrar as Musas e entregar seus poderes de volta, só assim o reino de Fairy teria uma chance de se reerguer e lutar contra Salina.

Vendo meu transtorno, o
macho humano, Marc, tentou me ajudar a me levantar e sorriu para mim. Senti meu rosto esquentar, uma reação nova e estranha, ao mesmo tempo. Talvez
o reino pudesse esperar um pouquinho, talvez esse humano Marc pudesse me ajudar e talvez, só talvez, eu conseguisse realizar a tal profecia e salvar Fairy...

terça-feira, 24 de julho de 2012

Agradecimentos VII Evento ''Encontro com Autores''

Neste domingo (dia 22/07), foi realizado nosso VII evento, o ''Encontro com Autores''. O mesmo teve a presença das autoras: Ju Costa, escritora de Agnus Dei: A Idade do Sangue. Rafaella Vieira, escritora de Depois Daquele Beijo e Sete Minutos no Paraiso. E via skype, a Luisa Trigo, autora do livro Carnaval.


Em nossa programação aconteceu o momento  com os autores, onde o publico poderia fazer perguntas e discutir sobre diversos assuntos da literatura. Num debate interativo todos tiveram a oportunidade de conversar com os autores, saber mais sobre seus livros ou até mesmo elixir algumas dicas.


Também tivemos o momento das editoras, onde falamos um pouco sobre os livros enviados pra nós. E claro, o sorteio dos brindes, onde você pode conferir alguns logo abaixo: 

   

 


 Nós agradecemos primeiramente pela participação das três maravilhosas autoras, pois esse evento não teria acontecido sem elas. E também, ao apoio das editoras que nos ajudaram enviando livros e brindes para o evento. Não podendo esquecer da participação de todos presentes pois tudo isso acontece graças a vocês.



Confiram essas e outras fotos do evento em nosso álbum do Facebook.



Concurso Literário ‘Escritores do Clube’ , 2º lugar: O Corvo da Cruz de Lenho

Confira o Conto que ganhou em Segundo lugar no
Concurso Literário "Escritores do Clube".

O corvo da Cruz de Lenho

Se você nasce como membro da Cruz de lenho, não te resta opção além de lutar. A nossa Sociedade – ou, como preferimos chamar, clã – caça Strigois e os destrói. Desertores tornam-se automaticamente inimigos piores do que as próprias criaturas sobrenaturais que caçamos, pois sabem demais para continuar sobrevivendo entre humanos inábeis. Foi neste meio sem escolha em que eu nasci. O posto de comandante ocupado pela minha mãe, Brianna, foi-lhe atribuído após o meu avô ser derrotado durante uma caçada, mas não antes de passar para ela todos os antigos segredos que são confiados apenas ao comandante. A honra e o dever de ser líder são hereditários, por isso, o mesmo destino irrefutável que tornou a minha mãe uma pessoa fria e distante está reservado para mim.
É comum que membros da Cruz de lenho relacionem-se para “manter a linhagem” confiável e para que não seja preciso revelar o nosso posto para pessoas comuns, mas, ainda assim, o segredo sobre quem é meu pai é guardado a sete chaves por Brianna. Foi durante uma discussão sobre esta incógnita que o meu destino, que eu pensava já estar selado, mudou completamente.
O meu 16º aniversário começou com uma fria manhã de inverno, na qual as nuvens encobriam o parco sol que deveria nos aquecer, tornando a sensação térmica ainda mais insuportável. Como acontece de segunda a sábado, levantamos de nossos colchonetes (postos sobre armações de metal para evitar a friagem do chão) e nos dirigimos à tenda que serve como copa. Vivemos como nômades, pois seria muito perigoso fixarmo-nos em um único local que poderia ser descoberto pelos Strigoi, tornando-se assim um alvo fácil para um ataque em massa. A caminho da copa, passo na barraca da minha mãe para aproveitar o pouco tempo que temos de privacidade. “Mãe?” Chamo enquanto abro o zíper. Assim começa a quarta-feira.
- Ravenna, parabéns por mais um ano de combate viva, mas você sabe que não pode me chamar assim. Aqui eu sou a comandante, e o que importa é a união de nossas almas, não os nossos laços sanguíneos.
- Eu sei, mas eu sinto falta de uma família.
- Você não pode sentir falta de algo que nunca teve, querida. – respondeu ela da maneira mais delicada que o posto de líder lhe permitia.
- Ainda assim, quero saber as minhas origens. Por que você nunca fala sobre o meu pai? Será meu presente de aniversário! – não consegui evitar a apelativa.
- Você conhece a sua ascendência. Obteve a dádiva de ser treinada pelo seu avô, o maior Comandante que este clã já teve. É tudo o que você precisa saber. Seu pai não é importan... – Brianna foi interrompida no final da frase pelo barulho do sino de alerta soando, indicando que um Strigoi fora capturado. Quando saímos, nos deparamos com quatro de nossos combatentes
carregando dois imortais estaqueados. O som de seus passos firmes e apressados nos guiou até a sala de extermínio.
Adentramos na sala e a primeira coisa em que reparo é nos cabelos sobre a maca. O ruivo dos Strigoi é característico devido a sua vivacidade contrastante com o resto do corpo frio. A pele excepcionalmente branca, os lábios avermelhados e os dentes caninos proeminentes dificilmente passam despercebidos, assim como o vermelho dos olhos. Entretanto, embora seja fácil identificá-los, capturar e derrotar um Strigoi é tremendamente difícil devido às vantagens físicas dos mesmos, que incluem velocidade e força excessivas, além da capacidade de se transformarem em animais e, nos primeiros anos após a transformação, ficarem invisíveis. Por isso a Cruz de lenho se ocupa dessa tarefa há séculos; afinal, mandar um morto-vivo definitivamente para a terra dos mortos requer muito treinamento. Minha mãe me disse que os Strigoi são conhecidos pelos outros humanos como vampiros, porém a noção deles é limitada e muitas vezes errônea. Para matar um strigoi não basta estaqueá-lo, você precisa queimá-lo. As estacas, se cravadas exatamente no coração, apenas imobilizam os mortos-vivos, e eles são repelidos e afetados por cruzes e água benta desde que a sua fé seja verdadeira, conferindo, assim, poder aos objetos sagrados.
Marge e David, o casal que estava montando guarda e foi responsável pela captura dos dois homens mortos-vivos, nos disseram que os strigoi caíram em uma armadilha montada ao redor do acampamento enquanto espionavam-nos. Após amarrar os dois strigoi pelos pulsos e tornozelos com trancas de ferro, eles são levados para o campo de incineração. Como é de costume, retiramos as estacas antes de queimá-los, pois em seu desespero muitos acabam revelando informações que nos são valiosas. Eu apenas não sabia o quanto as informações de hoje me atingiriam.
Assim que as estacam atingiram o chão, dois pares de olhos rubros encontraram os meus e, em uníssono, urraram: “Viu... Strigoi viu”. Em seguida, foram engolidos pelas chamas. Antes que eu pudesse processar o peso daquelas palavras, uma matilha de lobo irrompeu o acampamento: a frente deles, um lobo gigante veio diretamente em minha direção, atirando-me em suas costas enquanto deslocava-se para a floresta. Todo o resto do caminho foi um borrão.
Após 5 minutos (ou talvez tenham sido 5 horas) de inconsciência, desperto para me encontrar do lado de fora de uma caverna sentada sobre meus tornozelos, que estavam amarrados junto aos pulsos. Olhando-me, estavam centenas de pessoas e lobos. Quando as nuvens começam a desvanecer, confirmo o que eu já esperava: seus olhos, antes de um vermelho vibrante ocultados pela escuridão da floresta, agora, com a sombra da lua, brilham com íris prateadas. Estou cercada por strigois. O lobo maior avança e, no próximo passo, já possui aparência humana. É um strigoi transfigurador. Ele promete me desamarrar caso eu não tente fugir. Com as cordas soltas, vou massageando os pulsos enquanto escuto-o falar:
- Finalmente você está conosco, Ravenna. Sei que você está confusa, por isso tentarei explicar-lhe tudo da maneira mais simples o possível. Diferente do que lhe ensinaram nesses anos, um strigoi viu não é alguém vivo que foi amaldiçoado a se tornar uma criatura sobrenatural depois de morto. É um híbrido, o filho de um strigoi com uma humana, que recebeu a honra de tornar-se um strigoi após a morte. Está na hora de despertar a strigoi que você nasceu para ser e ocupar o seu lugar ao nosso lado, filha.
- Filha? Não, você está enganado! – luto para colocar coerência em meus pensamentos – Eu sou uma caçadora, e não uma anomalia. – A repulsa com a qual crispo a última palavra deixa claro que eu não aceitarei aquelas mentiras.
- Ravenna, você não pode se preterir assim. Deve sentir que hoje, no seu 16º aniversário, o seu corpo clama pela transformação, pois os nossos poderes lendários logo serão muito fortes para o seu corpo humano frágil. Não te resta opção além de se unir a nós. Desde o momento em que você deixou o acampamento, aqueles que até então juravam protegê-la passaram a caçá-la.
Ele estava certo, e oferecer resistência seria inútil; eu era uma Cruz de lenho no meio de centenas de strigois. Por isso, aceitei o treinamento aplicado pelo meu pai e me dediquei a aprender tudo que pudesse para usar contra eles quando chegasse a hora. Os strigoi descobriram o novo acampamento da Cruz de lenho e o ataque está marcado para a noite de segunda-feira, o dia da Lua. Então, na tarde do ataque, utilizo a técnica que aprendi para ficar invisível e consigo me esconder, preparando-me para contratacar. Uma hora após os strigoi terem marchado para o massacre, volto a ficar visível apenas por tempo suficiente para sentir a transfiguração começar. Lentamente, meus olhos se adaptam melhor à escuridão e asas surgem em minhas costas. Minha forma animal é a de um corvo. Levantando voo rumo às estacas que me esperam.
As labaredas que envolvem o local indicam que a batalha já terminou, e isso significa que eu estou atrasada, mas não irei desistir de minha meta. Mesmo que tenhamos perdido, ainda há alguém que eu posso – e preciso – salvar, e é com o rosto de Brianna em minha mente que eu alço voo e me lanço às chamas. Embora o fogo seja altamente letal para um strigoi, não posso abandoná-la. Minha transfiguração em corvo seria o suficiente para que eu passasse despercebida entre os caçadores, já que não tínhamos conhecimento de transfiguração nesse animal, mas isto não é necessário, já que o acampamento está destruído. Meus olhos faíscam quando, entre os destroços, avisto minha mãe presa a uma coluna. Eu sabia que, sendo meu pai, ele iria poupá-la.
Ravenna. O meu nome, que alude tanto a negro quanto a corvo, já indicava que um dia eu me tornaria um deles. Hoje sou uma junção dos dois, prestes a iniciar uma nova vida fugindo tanto de strigois quanto de caçadores da Cruz de lenho junto com a ex-comandante deles.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Concurso Literário ‘Escritores do Clube’ 1ºlugar: Sarah

        No blog da nossa autora parceira Ju Costa rolou uma promoção em parceria com o Clube do Livro Pernambuco, onde o objetivo era estimular a criatividade dos nossos participantes como futuros autores brasileiros.
        A Promoção era bem simples, o participante tinha que mandar um conto com tema sobrenatural de no máximo três páginas. Quem decidiu o vencedor foi um trio desconhecido dos participantes:

- Jessica Souza: Jornalista do Jornal do Commercio.
- Lucas Navarro: Escritor amador e professor de inglês.
- Danielle Botelho: Estudante de Letras e professora de inglês


*O 1º lugar levou pra casa um baú muito legal + o livro Edição do Autor de Agnus Dei: A Idade do Sangue + Marcador.
*O 2º e o 3º lugar levou pra casa um exemplar Edição o Autor de Agnus Dei: A Idade do Sangue + Marcador.


Abaixo segue o conto que ganhou o 1º lugar:


Sarah

O dia estava ensolarado hoje. Eu estava sentada na areia, com os pés dentro da água, olhos fechados, as ondas iam e vinham, e o vento estava forte.

Senti alguém tampando o sol que batia em meu rosto, abri os olhos e olhei para o lado. Era um garoto, de uns 17 anos e que me olhava.

— Ficar muito tempo no sol é perigoso, duvido que você fique menos bonita queimada, mas acho que vai ser desagradável. — Falou ele.

— Acho que da minha pele e do que faço, posso cuidar só, obrigada. — Respondi. Não gostava nada de pessoas que tentam se intrometer na minha vida. Ele riu e sentou na areia, ao meu lado, e puxou conversa.

— Você não é daqui, não é? Seu sotaque é um pouco diferente. — Falou olhando diretamente pra mim.

— Bom, daqui não, mas moro bem perto, é um lugar bem calmo.

— Sou Eric, qual o seu nome?

— Depois você vai descobrir.

— Hoje a noite meus amigos vão fazer um luau, você não quer ir comigo?

— Talvez, onde vai ser? — Perguntei um pouco animada, fazia um certo tempo que ninguém me chamava para alguma festa.

— No píer, às 21h. Espero você? — Perguntou com um sorriso de lado.

— Você que escolhe. — Me levantei e fui pra casa sem olhar para trás.

A praia perto do píer estava toda iluminada com tochas, pessoas dançavam no ritmo da música que tocava — Pelo menos algumas — e a lua brilhava no céu, estava na fase crescente, então parecia o sorriso do gato de Cheshire1. Nunca entendi a fascinação das pessoas pela lua, ela era apenas uma bola brilhante no céu, que nem luz própria tinha. Encontrei Eric encostado em uma pedra, ao lado de uma fogueira.

— Oi. — Falei chegando perto de onde ele estava.

— Olá, pensei que não vinha. Quer dançar?

— Claro. — E fomos Dançar...

Alguns minutos se passaram, e ainda estávamos dançando, um garoto chegou perto dele e lhe chamou, ele se afastou um pouco, e o garoto comentou algo com ele, que não ouvi. Mas logo ele voltou para perto de mim e começou a falar:

— Alguns amigos meus vão a um lugar aqui perto, um clube que está fechado para reforma, você quer ir?

1 Gato que é personagem da história Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol.

— Claro

A rua estava escura, só havia um um poste, que estava piscando. Um portão com algumas correntes estava na nossa frente, ele não era muito alto, então foi fácil pular. Haviam cerca de cinco pessoas conosco, e logo que entramos, elas se espalharam pelo clube, que era bem grande. Eric me guiou à piscina, e pulou.

— Você não vem? — Ele perguntou chegando perto da borda.

— Fico mais segura aqui, obrigada — Respondi me sentando na borda da piscina e colocando as pernas na água fria.

Encostei em algo de metal que tinha junto de onde eu estava e comecei a pensar, acho que me desliguei por alguns minutos, não sei ao certo. Olhei para a piscina, estava vazia.

— Eric? — Me levantei, tudo estava vazio, a luz do poste que estava na rua ainda piscava ao longe, e fazia o clima ficar meio assustador.

De repente sinto algo batendo contra as minhas costas, e eu caio na piscina.

— Agora nem adianta tentar sair que não deixo! Você não veio para cá e vai ficar olhando para o nada! — E pulou, nadando até o meu lado.

— Eric, é sério, eu tenho que sair. — Falei, eu estava congelando naquela água, e não era muito seguro eu ficar lá.

— Só te deixo sair se me disser seu nome. — Prendeu meus braços atrás das costas com as mãos e chegou perto de mim.

— Acredite, você não quer saber. — Falei séria.

— Então você não sai daqui.

De repente percebi que estava começando a perder o controle, minha visão estava estranha, eu estava tonta, e começava a sentir uma grande vontade de mergulhar com todas as forças na piscina, na água.

É, eu não devia ter entrado, agora eu tinha perdido o controle, novamente.

Eu comecei a bater as pernas com força, segurei na camisa dele — que ele não havia tirado, antes de pular, e agora estava encharcada — e comecei a puxá-lo para baixo.

— O..o quê? — Ele falou quando percebeu o que eu fazia.

Ele tentava se soltar, mas não conseguia, e eu ia puxando ele cada vez mais para baixo.

Cheguei ao fundo da piscina, que era bastante funda, e ele ainda se debatia, tentando se soltar, mas quando eu perdia o controle desse jeito, era impossível me parar.

Ele estava perdendo as forças e a consciência. Logo depois, sufocou.

Eu sentia minhas unhas perfurando a pele dele, despedaçando-a, e meus dentes entrando em contato com sua roupa e rasgando rapidamente, e cravando em sua pele.

Saí da piscina, quase limpa, por sorte o sangue não se espalhou muito, e nem restou nada dele como prova. Fui para a praia, e entrei no mar. Minha casa.

Não gosto, nem nunca gostei de fazer isso, mas sereias não são como as pessoas pensam; criaturas dos contos de fadas, todas boazinhas...

Elas são monstros.

Eu sou um monstro.

E meu nome é Sarah

quarta-feira, 18 de julho de 2012

[NOSSOS AUTORES], por Ju Costa





Os Sete Selos
Acho que todo mundo - ou quase todo mundo - concorda que a Editora Underworld dá um novo sentindo a expressão "comprar um livro pela capa". Nossa... são algumas das capas mais lindas que a gente acha na livraria.
Os dois livros da Luiza Salazar já publicados pela Underworld não fogem a regra.

OS SETE SELOS



Sinospse: Lara Carver é uma jovem de 21 anos que trabalha para a Agência, um local especializado em estudar, localizar e conter fenômenos paranormais. Um evento inesperado tira Lara do conforto da Agência em Londres e a leva para Paris, onde ela descobre que uma força muito além de qualquer coisa que a Agência já enfrentou assolou a cidade à procura de um artefato milenar. Lara precisa se unir então a um velho amigo e ex-agente, Jason e a um demônio, Lucius, inimigo declarado de Lara desde sua infância, para descobrir quem está atrás do artefato e porque ele é tão importante. No entanto, a jornada de Lara vai lhe mostrar coisas que ela jamais esperava: sobre perigo, amor, amizade e acima de tudo, sobre os estranhos e poderosos segredos do seu próprio passado.







BIOS


Bios

Sinopse: Quando Liz abre os olhos, ela se vê nas ruínas de uma cidade. E como se isso não fosse assustador o suficiente, tem mais um detalhe: Ela não se lembra de nada. Completamente perdida e sem nada além de uma mochila com alguns itens pessoais, Liz logo é resgatada por um grupo de adolescentes com ela, apenas para descobrir que eles são refugiados em um mundo onde ser humano é um crime. Uma grande corporação conhecida como O Instituto, responsável por criar vida artificial – no chamado Projeto Bios – está caçando os humanos restantes sob o pretexto de que eles são selvagens e instintivos demais para serem livre. A medida que passa tempo com estas pessoas, perturbada por fragmentos de memórias que não consegue conectar, Liz logo começa a suspeitar que o item do seu passado, aquele que ela não consegue lembrar, pode ser o segredo para a acabar com a guerra. E que o Instituto vai fazer de tudo para ver esse segredo – e ela – enterrados para sempre. 

Fala sério, que capas lindas são essas?
Uma coisa, no entanto, precisa ser dita: Muito cuidado com esses livros da Underworld... Assim, não todos, mas alguns que eu já tive contato, pecam um pouquinho (ou muitinho) na revisão. Parece que o cuidado que sobra nas capas, falta na releitura. Vou dar como exemplo algumas resenhas postadas por leitores no skoob:

"(...) Já é o 3o. livro da Underworld que eu leio (ou abandono) por causa do descaso com a nossa língua." - Usuário: Debinha

"Estou lendo Instintos Cruéis, também da Underworld, e tá acontecendo a mesma coisa: diagramação e capa super bem feitas e uma péssima revisão. (...)" - Usuário: Matheus.

"(...) excesso do pronome “Ela” em suas frases. Não foi difícil encontrar um paragrafo de apenas 3 linhas ser recheados deste pronome, deixando a leitura um pouco travada. Vou dar um exemplo com este pequeno trecho do livro.

“Os pulsos de Lara cerraram-se com tanta força que ela achou que suas unhas fossem cortar a pele das mãos. Ela se levantou de um só movimento e quando sua voz saiu ela parecia estar engasgada”. Pag. 19" - Usuário: Cabulosa Serena

Agora, voltando ao tema principal: sobre a autora! Afinal, essa coluna é sobre "nossos autores" e não "nossas editoras" hauauha! Só achei que o comentário deveria se feito.

Em seu blog, a Luiza se descreve:


" Nascida e criada em Belo Horizonte, sou escritora e jornalista, apaixonada por livros, quadrinhos, videogames, animação, cinema e todas as outras coisas maravilhosas da vida.

Meus hobbys incluem escrever, desenhar, ver filmes e comprar coisas relacionadas a estas três coisas. Passo minhas horas pensando no dia que a realidade vai finalmente ser melhor que os sonhos.
Escritora levemente acidental, torturada pelo transtorno obsessivo de deixar um restinho de água em todos os copos, eu amo acordar todos os dias e acreditar no impossível. Ah, e eu tenho ataques de ansiedade constantemente."
Eu tenho que confessar que comprei 'Os Sete Selos' por causa do que li na orelha, não sobre o livro, mas sobre a autora. Me identifiquei muito. Juro que vi a capa, li a descrição da autora e comprei o livro sem nem saber qual era a história! hahaha! Acho que foi o primeiro livro que eu comprei porque pensei "Taí... curti essa menina. Vou comprar pra prestigiar o trabalho dela."

O próximo livro da autora vai se chamar "Um Toque de Morte" e vai ser lançado pela Editora Draco, embora ainda não tenha previsão de lançamento. "Um Toque de Morte" também vai estar disponível na versão e-book.
Outra novidade legal é que a a Luiza já anunciou em seu blog que 'Os Sete Selos' vai ter uma continuação! Aguardem!
E pra concluir, a autora dá um incentivo para quem tem interesse em se tornar escritor:
"Acho sempre bom ouvir de novos escritores e eu sempre encorajo meus leitores ou as pessoas que me mandam email sobre isso a persistir mesmo quando parece que tudo está indo contra você. Escrever não é um trabalho fácil, as pessoas desacreditam muito, mas se é isso que você gosta de fazer, então persista. O primeiro livro pode nunca ser publicado ou pode virar um best seller, não existe fórmula pra isso. A dica que eu posso dar é revisar bastante sua história, fazer notas e tal. Pede pra alguma amiga ler, ver se te alguma coisa que está confusa, isso é sempre importante.
Assim que você achar que tem o melhor material possível em mãos, escolha as editoras que te interessam e comece a entrar em contato pra mandar seu material. Não é fácil, tem muita rejeição, mas vale a pena!" - Luiza Salazar
Vale a pena conferir! =)
Coluna feita por Ju Costa.

domingo, 15 de julho de 2012

[Eu Não Sou Baú] por Agatha Felix

Ei, bora brincar de quê?

Quantas vezes já não dissemos ou ouvimos isso quando éramos crianças? então pegue suas lembranças e entre nesse balão mágico azul e seja feliz!

Lucyanna Melo, nossa querida amiga, sugeriu um encontro onde pudéssemos recordar nossa infância e compartilhar fotos e memórias e foi o que fizemos na tarde deste domingo. A galera do Clube do Livro munidos de albuns de infância, brinquedos, papel e caneta sentados na grama do parque reviveram suas histórias [nem tão antigas assim] e riram muito com as peripécias de quando eram criancinhas. Abastecidos com muita comida e bom humor, os membros do clube que estavam presentes fizeram mímicas jogando Imagem e Ação, Nome-Lugar-Objeto, relembraram desenhos do passado e jogaram a brincadeira da discórdia - vulgo UNO.

Infelizmente não pudemos alongar a tarde relembrando nossos micos* ou ri de nós mesmos com aquelas roupas cuti cuti da mamãe, o evento de hoje com gostinho de quero mais. Quem sabe no dia das crianças???
  

[Eu Não Sou Baú] por Agatha Felix



Parabéns para você, nessa data querida!

Olha quem fez aniversário de 06 meses nessa última sexta-feira, o Clube do Livro de Pernambuco! Se ainda não sabe quem somos nós ou o porque de estarmos tão felizes em comemorar o sexto mês de vida é porque já perdeu muita coisa nesse semestre.
Nosso amado aniversariante reuniu gente inteligente e jovem que ama o mundo da literatura e que sempre está disposta a aprender mais sobre novas culturas e se aventurar num mundo de fantasia. Há quem apostasse contra o clube e ainda há quem o acha tolo porém há quem prove que o clube é muito mais do que falam, ele reuniu grandes amigos, estreitou laços e trouxe vida social – para os nerds de plantão shhh, isso é nosso segredinho!
Começamos não pequenos e com pouca ou quase nenhuma parceria e olha a gente aqui com tantos parceiros, a cada evento que passa ganhamos novos irmãos, abrimos nossas mentes e exploramos o desconhecido. Nem em Nárnia os filhos de Adão e as filhas de Eva  conseguiriam alavancar tantos outros guerreiros... mais devo confessar que os brindes ajudam e muito! Tendo as bênçãos dos anjos, guerreiros vorazes, reis, magos , a magia e toda a força dos jovens leitores deste clube é que digo que teremos mais 6 meses de vida e após isto teremos mais um ano e mais outro.
E como não podia deixar de falar dos sortudos vencedores dos eventos... estas linhas também são uma singela homenagem para aqueles que achavam que uma parede era o amuleto  de sorte. Mais houve quem chegasse para desbancar tudo e levar prêmios e a vitória para o grupo. Portanto, mais uma vez feliz aniversário clube! Mal posso esperar para o nosso próximo encontro.

Resumo dos nosso últimos eventos:


I Evento do Clube do Livro PE, no primeiro evento trouxemos o tema As Crônicas de Nárnia.













No nosso II Evento do CdlPE, a arena estava pronta e os Jogos Vorazes começou.









Em nosso III Evento os Anjos vieram a terra para nos ajudar nesse maravilhoso evento.







IV Evento do CdlPE, As Crônicas do Gelo e Fogo. Quem sentará no trono de Ferro??








E o Mundo Sobrenatural invadiu nosso V Evento.  O nosso primeiro realizado ao ar livre. :)















Nosso VI Evento apoiou uma maravilhosa campanha para trazer a autora Richelle Mead ao Brasil, em especial aqui pra Pernambuco.
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