quinta-feira, 2 de junho de 2016

ENTÃO EU ASSISTI... WARCRAFT: O PRIMEIRO ENCONTRO DE DOIS MUNDOS

Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

Lançamento: 02/06/2016
ElencoTravis Fimmel (Anduin Lothar) Paula Patton (Garona) Bem Foster (Medivh) Dominic Cooper (Llane Wrynn) Toby Kebbel (Durotan/Antonidas) Bem Schnetzer (Khadgar) Robert Kazinsky (Orgrim) Clancy Brown (Blackhand) Daniel Wu (Gul’dan) Ruth Negga (Lady Taria) Anna Galvin (Draka) ...
Diretor: Duncan Jones
Distribuidora: Universal Pictures
Nota


Warcraft: O primeiro Encontro de Dois Mundos (o que, por ser um título estupidamente imenso, vou pedir licença e me referir apenas como “Warcraft”) é o primeiro filme que adapta a aclamada franquia gamística de mesmo nome, que atualmente conta com sua quarta “versão”, o imenso MMORPG World Of Warcraft, um dos – senão O – jogo mais popular do mundo.
Desde suas primeiras versões de jogo, seus fãs anseiam muito por sua adaptação em filme. Também, pudera: O universo de Warcraft evoluiu por mais de 20 anos até hoje, com cada versão e expansão lançada acompanhada de romances, campanhas épicas, personagens memoráveis e uma melhoria constante e de encher os olhos (certo, nem sempre...) dos gráficos dos jogos. Além desse fato, a realidade é que os direitos de produção do filme foram obtidos em 2006. Seus fãs anseiam por este filme à míseros DEZ ANOS.



Será que a expectativa valeu a pena?
Antes de tudo, vamos dar nomes aos bois: A história do filme de Warcraft fala sobre a região de Azeroth, que alcançou a paz e harmonia com os povos que lá viviam, até a chegada dos guerreiros Orc, através de um terrível portal aberto pelo maligno Bruxo Gul’dan. Assim, eles puderam chegar à nova Terra com a intenção de destruir o povo inimigo. Cada lado do conflito tem seus próprios heróis e motivos pessoais para seguir em frente no confronto, o que termina por colocar em risco seu povo, sua família e todas as pessoas que amam até o surgimento de um vitorioso nesta grande guerra.
Como fica claro pela descrição, Warcraft vem apresentar um conto épico, cheio de magia e ação. Combates ferozes serão travados pelo domínio de Azeroth, num clássico de bem contra o mal.


Em tese, pelo menos.
A realidade pode ser outra, no entanto. O filme, logo no início nos dá um outro ponto de vista dos Orcs antes de começar a abordar a guerra, o que põe o telespectador para pensar sobre a injustiça ou não de seus atos. Durotan (interpretado por Tobby Kebbel), um dos líderes e heróis dos Orcs, também tem em si a faceta de pai zeloso e chefe protetor. Nele vemos aspectos interessantes na raça Orc que dizem a respeito de seu orgulho, honra e força como guerreiros. Por outro lado, vemos Anduin Lothar (Travis Fimmel, o Ragnar de Vikings vestindo bem o papel), o orgulhoso comandante do exercito de Ventobravo (Stormwind), cunhado do rei e grande guerreiro, um dos pilares da defesa da paz de seu reino. É ele que parte em busca de proteger Azeroth da investida implacável dos Ocs, que destroem e saqueiam tudo em seu caminho, o que o leva a cruzar caminhos com velhos conhecidos, como Medivh, o Mago Guardião do reino, e muitos novas faces, como o próprio Duratan e Garona, uma mestiça meio Orc. E no meio deste conflito, uma sombra se move, deixando claro que há mais inimigos do que os que podemos enxergar.


Certo. Lendo assim, com jeitinho, podemos chegar a conclusão que Warcraft é um épico imenso, poderoso e com inúmeros personagens interessantes e cativantes que podem levar a história a novos patamares de diversão, certo?
A real, é que a história de Warcraft poderia ser assim. Mas não consegue completar sua missão com sucesso.
Falando bem sinceramente, o filme é divertido. Bastante divertido. Os efeitos visuais, frutos dos esforços da WETA – a gigante dos efeitos especiais, responsável por dar vida e movimento ao mundo de Senhor dos Anéis e O Hobbit – que conseguiu novamente nos impressionar com os Orcs (as animações e movimentos são maravilhosos) e tantos outros efeitos especiais ótimos durante o filme. A direção de arte é impecável. Não há como não querer estar em Azaroth, o que é amplamente explorado pelo filme: Algumas das cenas parecem engolir você, te levando para dentro do mundo. Au Passant, devo salientar que a experiência de assistir em 3D vale bastante a pena, em especial em salas IMAX ou com tratamento extra no som.
No entanto, saindo do âmbito técnico, o filme começa a falhar seriamente em outros aspectos. Longe de grandes furos de roteiro – na verdade a história é concisa, bem redondinha, embora alguns aspectos permaneçam inexplicados até o fim do filme – o que mais se carece no filme são os aguardados aprofundamentos dos personagens. Afinal, Wacraft é, em sua essência, sobre isso: Um grande romance contado para seus jogadores, e agora, telespectadores. Talvez seja o enorme número de personagens, eventos acontecendo ou coisas a abordar, mas é sensível que Duncan Jones (o diretor e um dos roteiristas da película, diretor do bem criticado Lunar) não conseguiu trabalhar os personagens com o tempo que tinha de tela, embora tenha tentado algumas vezes. As cenas que acompanham o ponto de vista dos Orcs em especial são pontos altos no filme, por vezes ofuscando o lado humano da batalha. Não é por acaso que tantos fãs se auto-intitulem da horda.


No entanto isso não é o suficiente para levar o filme satisfatoriamente até o fim. A desconexão com alguns personagens chega a ser incômoda em alguns momentos – ao ponto de eu me pegar tentando e não conseguindo lembrar o nome de alguns protagonistas. Um fato no mínimo preocupante.
Discutindo no fim do filme com alguns outros resenhistas, me peguei observando que as reações podem ser bem variadas. Como bom conselho, posso mandar essa: Assista o filme apenas para se divertir. Ignore o máximo que puder a busca por profundidades no roteiro ou diálogos memoráveis. Warcraft, por enquanto, trata-se apenas de um filme pipoca de boa qualidade, um deleite visual que merece sua chance de ser assistido. Adianto desde já o óbvio: Outros filmes estão a caminho, e um sucesso comercial pode garantir sua existência, assim como uma melhor abordagem a este mundo tão interessante e que cativou tantos por tanto tempo, e agora guarda a chance de encantar você.

Veja o trailer abaixo:


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