quarta-feira, 29 de julho de 2015

[SERIEMANIA] DEMOLIDOR ou TUDO QUE AS SÉRIES DE HERÓIS QUERIAM SER QUANDO CRESCER.


Talvez você tenha vivido numa caverna nesses últimos anos, e não saiba o quanto a Marvel Studios cresceu e desenvolveu uma gigantesca – e linda, na minha humilde opinião – obra no audiovisual com diversos filmes criando uma mega saga aventuresca, cômica e ultra divertida. Talvez essa caverna seja dentro de uma ilha deserta, então você pode ter perdido o fato da Netflix, um serviço de exibição de filmes por streaming, estar cada vez mais nos últimos tempos produzindo suas próprias séries e programas, muitos dos quais de qualidade ímpar. Mas nada, nem a caverna a prova de som na ilha mais deserta pode ser desculpa para você não saber da existência desta parceria entre Marvel e Netflix abordando o herói cego mais querido dos quadrinhos – ou pelo menos o único que eu conheço – O Demolidor.


E vocês tem que saber o QUANTO ela é boa.

Em primeiro lugar, tenho que repetir aqui um lugar comum: Existe um filme de 2003 baseado nos quadrinhos do Demolidor com o Ben Affleck – sim, o mesmo cara que vai interpretar esse Novo batman do vindouro Batman vs Superman: Dawn of Justice – interpretando o nosso herói. Não conhece? Ótimo. Deixe desse jeito. Não que o filme seja ruim. Ele é ruim pra c***lho. Portanto, além de ser uma perda de tempo, ele vai te deixar com medo do resultado do Bem Affleck de morcegão. Mas isso é história pra outro post.
O importante é que Demolidor, assim como uma penca de outros heróis da linha B (estou forçando a barra, o Demolidor é time C mesmo) são personagens mais densos, de poderes reduzidos e histórias sérias, por vezes pesadíssimas onde heroísmo e vilanismo se confundem facilmente. Um grande erro do filme do demolidor foi justamente cortar esse peso criando um filme mais leve, para toda a família. O resultado foi bobo. Tipo, bocó mesmo. Um dos maiores fracassos da história do cinema, que deus sabe como criou uma semi continuação (Elektra. Sabe o filme do Demolidor? Esse filme é pior) e chegou perto de enterrar a carreira do Bem Affleck. Pode crer. Ele ouve piadas disso até hoje.


A Marvel, se provando uma espertalhona, ao conseguir de volta os direitos do personagem – eles estavam com a Fox, além do homem aranha e quarteto fantástico, estes bem sucedidos no cinema – viu que o personagem ainda era interessante, mas complicado para se trabalhar no cinema. Então se aproveitando da moda do streaming e vendo na Netflix uma grande porta de saída com pequeno risco de prejuízo, resolveu apostar bonito no jogo: Deu carta livre para que produzissem uma série sem preocupação de censura (o que permitiu a inserção de uma história mais pesada, mais violenta e mais... hmmm... “sensual”) e um investimento legal para que a produção chegasse aos mínimos requerimentos do que se espera do selo Marvel.
O resultado foi fantástico. A história, que aproveita bem os ganchos levantados no final do filme dos vingadores (por que afinal de contas, o que aconteceu com a cidade depois que um exército alienígena gigante passou voando por lá?), mas não se prende apenas a ele, podendo ser assistido mesmo se você nunca viu NADA da Marvel. Também vemos algo mais próximo a o que é apresentado na série de Batman do Nolan: Um herói sem poderes que não se pode dar o “luxo” de pegar leve com nenhum criminoso, ou ele pagará caro por isso. Além do fato da humanidade do personagem mostrar o quão próximo da morte ele sempre chega, mesmo se levantando para enfrentar os perigos novamente.
Lógico, nada disso ficaria tão bom sem uma equipe maravilhosa atuando. Charlie Cox está ótimo no personagem com seus maneirismos, mudando bem a tonalidade entre com e sem máscara. Foggy Nelson, vivido por Elden Henson é uma metralhadora de gags, e a Deborah Ann Wolf interpreta a Karen Paige, fechando o trio principal. Deixar aqui uma mega menção a Rosario Dawson, que interpreta a enfermeira Claire Temple e só não foi melhor por que apareceu pouco.
E mesmo todos eles fantásticos em seus papeis, não chegam aos PÉS de Vicent D’Onofrio, o Wilson Fisk encarnado! Cara, ele está MUITO BOM nesse personagem, praticamente remoldou a personalidade de Fisk criando um criminoso crível, humano e perigosíssimo ao mesmo tempo.



Outro espetáculo a parte são as lutas. Ok, longe de ter algo de pancadaria no nível de The Raid, mas o material entregue por Marvel: Demolidor é imensamente superior ao que vemos por aí na tv, mesmo em séries de orçamento maior. São boas coreografias, cortes de planos muito legais – inclusive uma cena fantástica com toda a referência possível a um clássico do cinema de pancadaria asiático, Old Boy – e pouca apelação a efeitos especiais, o que certamente criaria um resultado mais circense do que instigante fazem da série simplesmente a melhor nesse quesito. Tipo, sério, o pessoal de Arrow podia demitir a equipe inteira responsável pela coreografia de lutas e pedir umas dicas, porque é um baile que eles levam.
Imperfeições existem, principalmente em certas questões ligadas a cenas extremamente abertas, com um cenário muito grande. Mas é muito pouco para fazer sombra a tudo de bom que tem na série. Marvel: Demolidor é a prova que, sim, quadrinho pode gerar coisas pra gente grande, inclusive na tela da TV, com um roteiro bem legal, diversão garantida e muito espaço pra coisas novas chegarem.

Além de fornecer o cosplay mais fácil do mundo de montar!


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