quarta-feira, 4 de julho de 2012

[NOSSOS AUTORES], por Ju Costa.

Outro livro que chegou não faz muito tempo foi "Invasora - A Convocação" de J.S. Dalmolin, publicado pela Editora Novo Século, pelo selo Novos Talentos. O livro - que tem os adolescentes como público alvo - conta a história de Sammy, uma garota de 16 anos que enfrenta problemas normais para a sua idade, até ser transportada para o Século XVI. O mundo de fantasia de Dalmolin traz os já conhecidos vampiros e bruxas, além de um novo grupo de criaturas: os invasores.
Eu ainda não li, mas o teaser de Invasora me fisgou. A ideia é inusitada e o desenrolar tem cheiro de ser surpreendente.
Eu já comprei o meu. =D
Para quem quiser saber mais sobre a autora e o livro é só clicar aqui.



A autora compartilhou com a gente um trecho do seu livro. Só para dar um gostinho, segue um trecho do Capítulo VII de Invasora - A Convocação:
"Estava distraída com meus pensamentos, quando percebi algo se mover. Uma sombra que parecia de um homem estava próxima a entrada dos serviçais. Olhei naquela direção com mais atenção, percebi que algo se moveu. A sombra sumiu. Em uma fração de segundos reapareceu e junto com ela a figura de um homem. Ele olhou em minha direção. Algo na forma dele me olhar fez com que eu recuasse um passo, em direção a porta. Pude sentir todos os meus músculos enrijecerem de tensão enquanto tentava pensar em algo.
Então o que parecia totalmente impossível para eu acreditar a alguns dias atrás aconteceu. O homem disparou em minha direção, não estou falando de correr em direção a porta para subir as escadas e me encontrar. Ele simplesmente escalou as paredes e em menos de um piscar de olhos ele
estava na murada da sacada. Tentei gritar, mas meu grito ficou preso na garganta, meus músculos também paralisaram mantendo-me imóvel por causa do terror.
Tudo o que eu conseguia ver dele, era o cabelo loiro e a pele extremamente branca. Ele era imensamente alto, acho que mais de um metro e noventa. Os ombros enormes o deixavam ainda mais assustador. Seus olhos estavam encobertos pelas sombras do entardecer e eu tinha certeza que não gostaria de vê-los.
Quando é que essas coisas sem precedência iriam terminar? Parecia que tudo tendia a piorar. Percebi que continuava a olhá-lo, tentando ver seu rosto que ficava oculto pelas sombras. Ele usava calças justas com uma jaqueta muito parecida com a que Ian estava usando no primeiro dia em que o vi, ambos da cor preta. Diferentemente de Ian que usava uma camisa branca, a dele era marrom e
ficava sob uma capa preta que ia até seus pés. Arrepios de medo percorreram meu corpo.
Então ele agachou-se, ainda equilibrando-se em cima da murada. Eu acompanhei seus movimentos e fiquei feliz por baixar um pouco meu pescoço. Estava me sentindo uma formiga perto daquele gigante. Quando seus olhos ficaram visíveis aos meus, gemi de espanto, eles eram pretos, não me refiro apenas às íris dos olhos. Todo o globo ocular era negro como a mais escura das noites. Os lábios dele ameaçaram curvar-se em um sorriso, como que satisfeito com minha reação. Eu estava paralisada, em choque. A maneira como ele me olhava, parecia fazer de Ian apenas um gatinho. Ao movimentar a cabeça, ele não parecia fazer o gesto de maneira natural. Era como se fosse um
movimento mecânico.  Lembrei-me dos robôs dos filmes que eu costumava assistir quando criança.
Quando ele desceu da murada, pondo-se em minha frente, dei mais um passo para trás e percebi que estava encostada à parede. Não havia como fugir. Ele estendeu a mão e tocou-me, de leve, no rosto. Depois pegou uma mecha de meu cabelo e cheirou-a.
- Incrível!
Sua voz era como um trovão, grave e profunda, ligeiramente rouca como se ele estivesse sentindo prazer em me tocar, em me observar. Percebi que eu estava com dificuldade para respirar. Senti que ele iria me matar a qualquer momento.
- Se você não tivesse saído do quarto, eu jamais a teria notado. Nunca deixei de sentir o cheiro de alguém. Isso é intrigante, ou melhor, excitante.
Ele deu mais um passo em minha direção. Tentei recuar, mas não tinha mais para onde ir, arfei de medo. Essa atitude o fez sorrir. Seu sorriso era encantador, acho que só perdia para o de Ian. Serão todos os homens desse tempo assim tão deslumbrantes, tão fascinantes? Ou melhor, tão perigosos?
Ele tocou-me no rosto, sua mão era gelada, e escorregou por meu pescoço provocando-me um arrepio de medo. Ele chegou mais perto, seu peito largo parecia uma muralha me prendendo contra a parede.
- Tão pequena e frágil. Não entendo por que Ian pediu nossa ajuda! Eu podia destruí-la apenas com uma das mãos.
Sua mão fechou-se em torno de meu pescoço, percebi que ele realmente poderia fazer isso se quisesse. Mas, ele limitou-se a acariciar minha pele, fazendo-me tremer ainda mais. Ele inclinou a cabeça daquela maneira robotizada, achei que ele fosse me beijar. Quando sua língua passou por
minha face assustei-me e prendi a respiração.
- Sem gosto. Estranho, achei que você seria deliciosa.  Não faz sentido.”

O lançamento foi no dia 19/07/2011. Hoje o livro já está à venda nas Livraria Saraiva, Livrarias Curitiba, Americanas, Livraria da Travessa, Livrara Siciliano, Submarino, etc.
A J.S. fala sobre como foi, para ela, o processo de escrever, e dá algumas dicas:
' “Meu sonho é escrever um livro!!!!”
Usei está frase durante muitos anos, sempre tive medo de começar escrever e não conseguir  terminar. Vários outros ensaios, que guardo até hoje, de outros livros surgiram, mas não consegui concluir. Costumo dizer que não deram liga.
Após várias tentativas frustradas percebi que não estava fazendo as coisas certas. Eu precisava de organização. Então foi isso que fiz. E, quando a Ju Costa me pediu para escrever, dar uma dica sobre como publicar ou revisar uma obra, confesso que fiquei com um pouco de medo de fazer isso pois meu primeiro livro foi publicado há pouco tempo (19/07/2011), mas talvez isso possa incentivar outros que como eu, sintam-se inseguros em escrever.
Vou citar os passos que segui até a publicação do livro “INVASORA – A CONVOCAÇÃO”:
1º. Defina quem será seu público alvo;
2º. Defina o que você quer escrever para este público alvo (história de ficção, terror, documentário, etc);
3º. Leia autores que tenham obras direcionadas ao mesmo público que você quer atingir, para saber qual é a linguagem mais adequada para esse público;
4º. Se for uma história/romance, construa o esqueleto dessa história (local; data ou época dos acontecimentos; personagens; características físicas, psicológicas desses personagens). Se for um fato histórico pesquise em documentos, em livros, etc;
5º. Leia e releia várias vezes para se certificar de que tudo esteja bem amarrado, sem faltar fatos ou ideias incompletas. Se não consegue completar a ideia no momento, anote o que você achar mais importante  e retome em outro momento. É preciso praticar para melhorar, poucas pessoas nascem com o dom de escrever a maioria precisa praticar. Quanto mais escritos você produzir mais facilmente as ideias se ordenarão em sua mente.
6º. Quando a obra estiver pronta, procure por editoras que se enquadram no seu tipo de obra e aquelas que aceitam analisar obras de autores iniciantes como nós. Enviem os resumos, mas não tenha pressa, tenha paciência.
Resumidamente, acho que é isso.
Espero ter contribuído com algo.
Abraços a todos.  J. S. Dalmolin.'
Eu queria fazer mais um comentário a parte: Eu acabei de escrever um livro, e todo mundo que se encontra em uma situação como a minha sabe como é difícil ouvir uma resposta de qualquer pessoa. J.S. Dalmolin foi uma das pessoas que me respondeu, e gastou algum tempo de sua vida para ajudar um completo desconhecido.
Eu não tenho muita experiência no ramo. Mas eu acho que o auxílio mútuo sempre deve ser valorizado. Então, palmas para J.S., e sucesso. Muito sucesso.
Coluna feita por Ju Costa.
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